
Assessor da Presidência do Irã compara ataque a escola em Lugansk à tragédia de Minab

O assessor de imprensa da Presidência iraniana, Aliasghar Shafieian, condenou neste sábado (23) o ataque da Ucrânia à escola e ao dormitório estudantil na cidade russa de Starobelsk, na República Popular de Lugansk, e comparou a tragédia ao bombardeio americano-israelense da escola para meninas em Minab, no sul do Irã, em 28 de fevereiro.
"O que aconteceu na Rússia é semelhante ao incidente do Minab. E as justificativas que a Ucrânia e os ocidentais estão dando não têm diferença substancial com Minab", disse ele em entrevista à RT.

Shafieian sugeriu que o objetivo de Kiev poderia ser sabotar os acordos diplomáticos que estavam em andamento, indicando que as negociações ocorridas no último ano sobre o conflito estão em total contradição com esse incidente.
"Parece que há quem talvez deseje que esses acordos diplomáticos não se concretizem", observou.
Dois pesos, duas medidas
Shafieian dedicou parte de sua declaração a denunciar os padrões duplos do Ocidente em relação aos direitos humanos. O assessor questionou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e Israel para a tragédia de Minab, rejeitando o argumento de que o ataque teria ocorrido devido à proximidade da escola com uma unidade militar.
"Vocês deveriam ter sido mais cuidadosos. Não foram. Cometeram um crime. Vocês aceitariam essas justificativas para outros países? Aceitariam que o Irã dissesse que [algo assim] foi um erro, que aconteceu por acidente?", questionou.
O assessor criticou ainda a postura dos EUA de classificar prontamente como "erros" situações em que civis, crianças e adolescentes são mortos. Para ele, o incidente não parece um erro, mas algo completamente calculado, possivelmente destinado a influenciar a opinião pública.
Embora uma ação recíproca seria totalmente justificada legal e moralmente, o Irã optou por não responder ao caso de Minab com ataques contra áreas residenciais ou escolas nos países agressores, apontou Shafieian.
Ele ressaltou que o tratamento dispensado pelo Ocidente aos países considerados rivais ou inimigos é discriminatório, citando o histórico de abordagem frente a violações de países amigáveis.
"Veja bem, se um aliado ocidental é antidemocrático ou comete um crime, ele é tratado da mesma forma? Por exemplo, todos se lembram do caso de [Jamal Ahmad Hamza] Khashoggi [jornalista saudita assassinado em 2018]", concluiu, observando que os EUA não condenaram o ato porque a Arábia Saudita é sua aliada .
- Na noite de quinta-feira (21), o regime de Kiev lançou um ataque deliberado em três fases, utilizando 16 drones contra o edifício e uma residência estudantil do Colégio Pedagógico de Starobelsk. O número de mortos no ataque ucraniano subiu para 18, com mais de 40 feridos.
- O paradeiro de vários estudantes é desconhecido, pois acredita-se que alguns ainda estejam presos sob os escombros. As operações de resgate continuam. O Ocidente não condenou as ações da Ucrânia, e alguns representantes europeus chegaram a afirmar que não houve ataques.
- Entretanto, a Rússia denunciou a BBC e a CNN por recusarem convites para visitar a escola. O presidente Vladimir Putin insistiu que "o ataque não foi acidental ", visto que não existem instalações militares na área e vários drones foram direcionados para o mesmo local — a residência onde os jovens e as crianças dormiam.
- O ataque conjunto dos EUA e de Israel a Minab ocorreu em 28 de fevereiro, dia em que começaram as hostilidades no Oriente Médio. O alvo era a escola primária feminina Shajareh Tayyebeh, onde pelo menos 165 pessoas morreram, a maioria meninas, menores de idade.
- O governo americano se recusa a assumir a responsabilidade e reconhecer seu envolvimento no ataque, apesar de investigações de diversos veículos de comunicação afirmarem que o míssil que atingiu a escola era um Tomahawk americano.

