
Alemanha tenta destravar compra de Tomahawks após impasse com Trump

A Alemanha voltou a pressionar os Estados Unidos para comprar mísseis de cruzeiro Tomahawk e lançadores terrestres Typhon, depois que o Pentágono abandonou o plano de enviar ao país um batalhão norte-americano equipado com armas de longo alcance, informou o Financial Times neste domingo (10).
A medida aprofundou a preocupação em Berlim com a capacidade de defesa europeia e ocorre em meio ao desgaste nas relações entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, por causa da guerra no Irã.
Segundo fontes familiarizadas com a estratégia alemã, o ministro da Defesa, Boris Pistorius, prepara uma viagem a Washington para tentar destravar a proposta de compra apresentada pela Alemanha ainda em julho do ano passado.

Corrida por capacidades militares
"O ponto-chave é ter capacidades de ataque na Europa", afirmou uma fonte do governo alemão.
Outra pessoa envolvida nas discussões disse que Berlim pode até aceitar pagar mais para garantir a compra dos sistemas. Japão e Países Baixos já aguardam entregas de Tomahawks encomendados aos EUA.
O senso de urgência aumentou após o Pentágono anunciar que o batalhão de armas de longo alcance previsto para ser enviado à Alemanha neste ano será realocado para outra região.
A decisão veio acompanhada do anúncio da retirada de 5 mil soldados norte-americanos do território alemão.
Brecha na defesa europeia
O plano original, fechado durante o governo Joe Biden, previa o envio de sistemas capazes de lançar mísseis Tomahawk, SM-6 e a arma hipersônica Dark Eagle.
A iniciativa era vista como resposta à presença de mísseis russos Iskander em Kaliningrado, enclave russo no mar Báltico que coloca Berlim dentro do alcance das armas de Moscou.
Hoje, a Europa não possui sistemas terrestres de longo alcance prontos para uso imediato. O Reino Unido opera Tomahawks lançados de submarinos, enquanto a França possui mísseis de cruzeiro próprios, também embarcados em submarinos.
Estoques dos EUA sob pressão
Especialistas avaliam que a Alemanha enfrenta dificuldades para convencer Washington.
O professor Carlo Masala, da Universidade das Forças Armadas da Alemanha, afirmou que Berlim demonstra falta de alternativas imediatas e depende cada vez mais dos EUA.
"Não vai funcionar", declarou.
Segundo ele, Washington já evitava responder ao pedido alemão e agora teria ainda menos margem para aprovar a venda após o consumo de estoques militares na guerra contra o Irã.
O próprio Merz reconheceu o problema ao afirmar recentemente que os norte-americanos "não têm o suficiente nem para eles mesmos neste momento".
Apesar disso, o Ministério da Defesa alemão informou que a compra "continua planejada" e que as negociações com Washington seguem em andamento.
Europa busca alternativas
Diante das incertezas, Berlim também discute acelerar programas europeus de armas de longo alcance, como o projeto Elsa, desenvolvido em parceria com França, Polônia, Reino Unido, Itália e Suécia.
O governo alemão também avalia aproveitar tecnologias militares desenvolvidas pela Ucrânia.
Nenhuma dessas alternativas, porém, é considerada viável no curto prazo — o que transforma os Tomahawks em uma prioridade estratégica para Berlim.


