
Economia europeia está sob ameaça, e motivo tem a ver com China; entenda

A estratégia econômica da China elevou a pressão sobre empresas europeias em setores como máquinas, química fina, veículos elétricos e tecnologias avançadas, informou a Bloomberg nesta quinta-feira (7).
O novo Plano Quinquenal chinês, divulgado em março, define metas para ampliar a capacidade tecnológica do país.
A agenda inclui a modernização de áreas tradicionais da indústria e o avanço em robótica, biomedicina, energia de fusão, tecnologia quântica e comunicações 6G.

Segundo a Bloomberg, a execução de planos quinquenais anteriores mostra que o governo chinês costuma alcançar parte relevante de seus objetivos.
Esse histórico aumenta as preocupações na Europa, onde setores industriais já enfrentam perda de competitividade e aumento do déficit comercial com a China.
A publicação afirma que a nova estratégia chinesa também pressiona o modelo econômico europeu, baseado há décadas em maior abertura de mercado. "A nova folha de rota dá aos funcionários europeus ainda mais motivos para questionar o modelo de livre mercado no qual se apoiaram por tanto tempo", indicou o meio.
Alemanha, maior preocupação
A Alemanha aparece como um dos principais focos de atenção. Maior economia da Europa, o país registra baixo crescimento desde a pandemia, enquanto a produção manufatureira segue em queda desde o fim de 2017, segundo a Bloomberg.
No setor automotivo, a China passou a ocupar a posição de maior exportadora mundial de veículos, impulsionada pelos carros elétricos.
Fabricantes chinesas oferecem modelos mais baratos que os de grupos alemães como Volkswagen, BMW e Mercedes-Benz.
Claudia Barkowsky, representante em Pequim da Associação Alemã de Construção de Máquinas e Instalações, disse que empresas europeias buscam entender os efeitos da nova agenda chinesa.
"As empresas querem saber o que esse plano significa para o futuro. […] Definitivamente, significa mais concorrência, porque a China está passando de forma massiva da escala para a qualidade, a eficiência e a sustentabilidade. Essa transição afeta cada vez mais áreas nas quais a indústria europeia de máquinas foi tradicionalmente muito forte", afirmou.
Risco de desindustrialização
Para Reinhard Buetikofer, pesquisador do Centro de Análise de Política Europeia, a disputa comercial reflete um problema mais amplo para a base industrial do continente.
"É importante que abordemos finalmente a gravidade dessa ameaça industrial", afirmou Buetikofer. "Enfrentamos uma ameaça de desindustrialização 'made in China'. Conhecemos as ferramentas para combatê-la. A questão é se temos a vontade política de utilizá-las", resumiu.

