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'Não deixemos que nos arrastem para o desânimo. Nosso país é forte', diz chanceler alemão

Declarações ocorrem enquanto a Alemanha enfrenta novas pressões sobre o abastecimento de combustível, em meio à volatilidade energética gerada pela guerra contra o Irã.
'Não deixemos que nos arrastem para o desânimo. Nosso país é forte', diz chanceler alemãoGettyimages.ru / Maja Hitij

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, pediu neste sábado (25) que a população não caia no desânimo e defendeu a força econômica e industrial do país, ao mesmo tempo em que alertou que a ordem democrática alemã está sendo atacada "de muitos lados" de maneira inédita.

Durante seu discurso na 41ª Conferência Federal da Associação Democrata Cristã dos Trabalhadores, em Marburg, Merz destacou que a Alemanha possui "esforço", "conhecimento" e uma base industrial sólida para enfrentar os desafios atuais. Segundo ele, o país segue entre os líderes globais e "pode fazê-lo".

"Não deixemos que nos arrastrem a um estado de ânimo negativo. Nosso país é forte", afirmou. "A Alemanha tem diligência, conhecimento, uma base industrial forte e uma classe média sólida", acrescentou.

O chanceler, contudo, alertou para riscos além da economia. "Não só nossa prosperidade está em perigo. Não só nossa coesão social está em perigo", disse. Nesse contexto, advertiu que a ordem democrática do país "está sendo atacada de forma sistemática e por muitos lados como nunca antes" em mais de 75 anos.

Merz também abordou a percepção sobre o trabalho no país e defendeu mudanças no apoio social. "Durante muito tempo, transmitimos aos trabalhadores a sensação de que seu esforço não é valorizado", declarou. "Quem pode trabalhar, mas decide não fazê-lo, não deve esperar que outros financiem sua vida", afirmou.

Crise energética

As declarações ocorrem em meio a novas pressões no abastecimento de energia. A partir de 1º de maio, a Rússia deve interromper o transporte de petróleo do Cazaquistão para a Alemanha pelo oleoduto Druzhba, afetando a refinaria de Schwedt, considerada estratégica para o país.

Além disso, há preocupações no setor aéreo sobre possível escassez de querosene a partir do fim de maio, caso persistam as interrupções nas rotas de fornecimento.

A combinação desses fatores — impacto no fluxo de petróleo, pressão sobre a refinaria de Schwedt e riscos no mercado de querosene — aumenta a atenção sobre a capacidade da Alemanha e da Europa de manter rotas alternativas e gerenciar estoques em um cenário de crise energética prolongada.