
Rússia desclassifica documentos inéditos sobre suicídio de Hitler

O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) divulgou nesta quarta-feira (6) documentos desclassificados que detalham as circunstâncias do suicídio de Adolf Hitler em 1945 e revelam que integrantes da liderança nazista comunicaram inicialmente a morte apenas ao líder soviético Joseph Stalin.

O material foi publicado às vésperas do Dia da Vitória, comemorado anualmente em Moscou no dia 9 de maio.
Confirma cita o documento, Hitler se suicidou em 30 de abril de 1945, durante o cerco de Berlim pelo Exército Vermelho.
A cidade caiu em 2 de maio, quando o comandante da defesa alemã, o general Helmuth Weidling, se rendeu às forças soviéticas e prestou depoimento ao comando militar.
Últimos dias em Berlim
Em declarações registradas em 6 de maio de 1945, Weidling relatou seu último encontro com Hitler e descreveu o líder nazista como "um cadáver vivo", afirmando que ele estava curvado, com as mãos tremendo e falando em voz baixa enquanto explicava planos militares para tentar salvar Berlim.
O general afirmou que a defesa da cidade já estava condenada. Segundo o depoimento, "o anel de cerco russo tornava-se cada vez mais estreito", enquanto faltavam munições, suprimentos e apoio aéreo.
Ele destacou ainda a situação crítica de civis e feridos: "Não havia luz nem água, milhares de feridos não podiam receber qualquer assistência".
Comunicação restrita sobre a morte
Weidling relatou que foi convocado à Chancelaria do Reich no dia 30 de abril, onde o chefe do Estado-Maior do Exército alemão, general Hans Krebs, informou que "o Führer cometeu suicídio" por volta das 15h e que o corpo foi queimado no jardim do prédio.
Segundo o testemunho, a liderança nazista ordenou silêncio absoluto sobre o ocorrido e comunicou oficialmente o fato apenas a Stalin. A informação chegou ao comando soviético em 1º de maio, quando Krebs se apresentou ao Exército Vermelho para negociar um cessar-fogo.
O comandante soviético Vasily Chuikov informou imediatamente o marechal Georgy Zhukov, que repassou a notícia a Moscou.
O restante do mundo soube da morte de Hitler somente na noite de 1º de maio de 1945, por meio de anúncio do rádio alemão, que não mencionou o suicídio.
O documento também lembra que Weidling foi condenado em fevereiro de 1952 por um tribunal militar soviético a 25 anos de prisão por crimes de guerra.


