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Autoridades revelam para onde serão evacuados passageiros com sintomas de hantavírus

O navio deve chegar às Ilhas Canárias em três dias, onde serão iniciados protocolos de avaliação sanitária e repatriação dos demais ocupantes.
Autoridades revelam para onde serão evacuados passageiros com sintomas de hantavírusAP / Misper Apawu /

Nesta quarta-feira (6), a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, anunciou que três passageiros com sintomas de hantavírus serão retirados de um navio que se encontra em Cabo Verde e evacuados para os Países Baixos. 

Segundo a ministra, os demais passageiros e tripulantes estão assintomáticos.

A embarcação deve chegar às Ilhas Canárias, na Espanha, em três dias. Após a chegada, as autoridades espanholas iniciarão um protocolo de avaliação sanitária e evacuação para organizar o repatriamento dos estrangeiros.

A operação será coordenada pela Comissão Europeia, com apoio da Organização Mundial da Saúde e do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças.

Entre os assintomáticos estão 13 espanhóis, 12 passageiros e um tripulante. Eles serão examinados nas Canárias antes de seguirem para Madri, onde permanecerão em quarentena no hospital militar Gómez Ulla.

"A transmissão de pessoa para pessoa não é comum, mas não pode ser descartada; quando ocorre, dá-se em situações de contato muito próximo e direto com indivíduos sintomáticos", esclareceu a ministra.

O que é hantavírus?

O hantavírus é uma doença viral aguda causada por patógenos transmitidos por roedores silvestres. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, a infecção pode se manifestar de duas formas principais em humanos: a febre hemorrágica com síndrome renal (FHSR) ou a síndrome pulmonar por hantavírus (SPH) — esta última, a mais frequente nas Américas. O vírus é encontrado na urina, fezes e saliva de roedores específicos, que atuam como portadores sem apresentar sintomas.

Como é transmitido?

A transmissão ocorre, predominantemente, pela inalação de poeira contaminada em ambientes fechados, como depósitos, cabanas ou celeiros. O contágio também pode acontecer por contato direto com os excretas do animal ou, em casos menos comuns, por mordeduras e arranhões. As autoridades de saúde reforçam, contudo, que o vírus não é transmitido de pessoa para pessoa.

Sintomas

O período de incubação varia de uma a seis semanas. Inicialmente, os sintomas assemelham-se a um quadro gripal severo, incluindo febre, calafrios, dores de cabeça intensas, dores nas costas, náuseas e mal-estar geral. No caso da síndrome pulmonar, a evolução é rápida: entre o quarto e o décimo dia, o paciente pode apresentar tosse, dificuldade respiratória aguda e acúmulo de líquido nos pulmões. A gravidade é alta, com uma taxa de letalidade de cerca de 38% entre aqueles que desenvolvem sintomas respiratórios severos.

Já na forma de febre hemorrágica, o quadro pode evoluir para visão turva, vermelhidão nos olhos, erupções cutâneas e, em estágios avançados, choque, hemorragias internas e insuficiência renal aguda.

Tratamento

Como ainda não existe um tratamento específico para o vírus, o protocolo médico baseia-se no suporte intensivo, com a hospitalização frequente de pacientes em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para o controle dos sintomas.