
Soberania energética: Petrobras permite Brasil ganhar mesmo com incertezas externas

O modelo estatal da Petrobras protege o Brasil de flutuações violentas no mercado de petróleo, defende a coordenadora-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Cibele Vieira, em entrevista à RT nesta quinta-feira (30).
Em um cenário geopolítico de incertezas e conflitos — em particular a guerra de EUA e Israel contra o Irã —, o modelo de controle pelo Estado da Petrobras serve como um amortecedor contra oscilações no mercado energético.

Vieira explica que há uma lógica de compensação. "Quando o preço do barril está alto, a gente ganha na exportação e consegue dar uma amortecida nos derivados aqui. Quando o preço está mais baixo, a gente consegue equilibrar através do refino".
Reconfiguração e transição
Vieira comenta que há evidências de alterações no mercado de hidrocarbonetos, algo também evidenciado pela saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
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Essas reconfigurações ocorrem em paralelo às iniciativas de transição energética, frequentemente apontadas como um vetor de redução da dependência do petróleo.
Vieira, no entanto, relativiza a ideia de mudança rápida nas matrizes energéticas. "Não é uma substituição direta. A demanda por energia no mundo cresce tanto que as novas fontes vêm suprir o aumento, não necessariamente substituir as existentes", afirma.
Então, o que se desenha é um período de sobreposição entre matrizes energéticas, em que o petróleo ainda terá papel relevante, mas inserido em um ambiente de maior competição, instabilidade e incerteza estrutural, aponta a coordenadora-geral da FUP.
