
Lula fez o dever de casa? Entenda situação do Brasil com saída dos Emirados da OPEP

A saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP e da OPEP+ anunciada nesta terça-feira (28) aumentou a incerteza sobre o mercado global de petróleo, já impactado pelas tensões em torno do Estreito de Ormuz e disputas no Oriente Médio.
O barril do Brent encerrou o dia em torno de US$ 112, no maior nível desde o início de abril e na sétima alta consecutiva.
Vantagem limpa
Nesse cenário, o Brasil chega em posição mais favorável por ter avançado na diversificação de sua matriz energética e no fortalecimento de fontes renováveis.
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O país consolidou protagonismo internacional em energia limpa, com biocombustíveis, hidrelétricas, energia solar e eólica, reduzindo a dependência direta das oscilações externas do petróleo. Em meio à crise, a demanda global de energia limpa já rivaliza com o petróleo, o que coloca o Brasil em vantagem estratégica.
Planejamento estratégico
Ainda assim, o governo Lula decidiu agir para evitar impactos imediatos no bolso da população. Em março, o presidente anunciou um pacote de medidas para conter a alta dos combustíveis, incluindo subsídio a produtores e importadores e um decreto que zerou impostos federais sobre os combustíveis.

Segundo Mahatma Ramos, diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), mesmo com a alta de 44,4% do Brent em reais no mês passado, a Petrobras realizou apenas um reajuste de 11,5% no diesel em suas refinarias, mantendo gasolina e GLP estáveis.
Em comparação, refinarias privatizadas no governo Bolsonaro seguiram mais de perto o Preço de Paridade de Importação (PPI), com aumentos muito superiores, como os 60,9% da gasolina na Refinaria de Mataripe e até 85,6% no diesel.
Além disso, a Petrobras ampliou a produção interna para reduzir a pressão sobre o abastecimento. Seis de suas 11 refinarias operam acima da capacidade instalada para elevar a oferta de diesel no país, segundo a agência Reuters.
