A Marinha dos Estados Unidos interceptou e apreendeu um navio de carga iraniano no Golfo de Omã após ele deixar um porto na China, informou o Washington Post no domingo (19).
A embarcação M/V Touska partiu do porto de Gaolan, na cidade chinesa de Zhuhai, na costa sudeste do país. Dados de navegação indicam que o navio foi interceptado a cerca de 48 km ao sul da costa do Irã, enquanto navegava em alta velocidade no norte do mar Arábigo.
O navio pertence à Companhia Naviera da República Islâmica do Irã (IRISL), empresa estatal sancionada por Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia. Autoridades americanas acusam a companhia de participar do transporte de materiais relacionados ao programa de mísseis balísticos iraniano.
Com capacidade para até 4.800 contêineres de 20 pés, o Touska havia partido de um porto conhecido pelo armazenamento e envio de produtos químicos, incluindo o perclorato de sódio, substância utilizada como precursor de combustível para foguetes.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre o tipo de carga transportada na embarcação.
Durante a operação, o destróier USS Spruance realizou ao menos três disparos contra a casa de máquinas do navio, inutilizando sua propulsão sem provocar o afundamento. Em seguida, fuzileiros navais da 31ª Unidade Expedicionária embarcaram e assumiram o controle.
A ação marca a primeira operação de abordagem desde o início do bloqueio naval dos Estados Unidos, em 13 de abril. Até o domingo (19), 25 embarcações foram obrigadas a retornar, incluindo o Touska.
O comando militar iraniano classificou a operação como "pirataria".
Fechado para navios inimigos
- Após a agressão de EUA e Israel, o Irã bloqueou quase completamente o Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao de Omã, e anunciou que não sairia da região "nem uma única gota de petróleo" por mar, o que disparou os preços dos combustíveis.
- As forças americanas iniciaram na segunda-feira (13) o bloqueio de todo o tráfego marítimo que entra ou sai dos portos iranianos.
- Após o acordo de trégua entre Israel e o Líbano, firmado na quinta-feira (16), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou que o Estreito de Ormuz será aberto para navios comerciais "durante o restante do período de cessar-fogo".
- Paralelamente, foi informado que, se o bloqueio naval contra a República Islâmica imposto pelos EUA continuar, Teerã considerará isso uma violação do cessar-fogo e procederá ao fechamento do Estreito de Ormuz novamente.
Neste sábado (18), o Irã restabeleceu o controle militar sobre todo o tráfego no Estreito de Ormuz devido às repetidas violações e atos de pirataria por parte dos EUA, sob o pretexto do bloqueio naval.
Dada a situação, o controle sobre Ormuz voltou ao estado anterior e o estreito encontra-se sob vigilância e controle rigorosos das forças iranianas, que não o suspenderão até que os EUA liberem a circulação de navios do Irã para seus destinos e vice-versa.