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Conflito com Irã faz inflação disparar nos EUA e impacto pode durar meses — Financial Times

Alta nos combustíveis após tensão no Estreito de Ormuz levou inflação americana ao maior nível em dois anos.
Conflito com Irã faz inflação disparar nos EUA e impacto pode durar meses — Financial TimesSOPA Images / Gettyimages.ru

O conflito envolvendo o governo de Donald Trump e o Irã já está deixando marcas na economia dos Estados Unidos, e, segundo especialistas citados no domingo (19) pelo Financial Times, os efeitos podem persistir mesmo depois do fim das hostilidades.

Dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA mostram que, em março, a inflação no país chegou a 3,3%, o nível mais alto em dois anos. A principal pressão veio da disparada nos preços dos combustíveis, após o fechamento parcial do Estreito de Ormuz por parte do Irã, um dos principais corredores globais do petróleo.

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A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou que a escalada do conflito, iniciada no fim de fevereiro, interrompeu a trajetória de queda da inflação nos Estados Unidos e elevou as expectativas de curto prazo. Ela também alertou que os impactos econômicos não tendem a desaparecer rapidamente, mesmo com um eventual cessar-fogo.

Projeções de inflação em alta

Segundo o Financial Times, o FMI revisou suas projeções e agora estima que a inflação nos EUA deve fechar o ano em 3,2%, acima dos 2,5% previstos antes do agravamento do conflito.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também ajustou suas expectativas, elevando a projeção de 2,8% para 4,2%.

Além da energia, o impacto já começa a se espalhar para setores estratégicos da economia americana, como transporte, alimentação e aviação, pressionados pelo aumento dos custos logísticos e do combustível.

O pesquisador Joseph Gagnon avaliou que os preços devem continuar subindo ao longo do ano e que, mesmo com uma desaceleração gradual da inflação, o índice ainda não terá retornado aos níveis de início do ano até dezembro.

Fechado para navios inimigos

  • Após a agressão de EUA e Israel, o Irã bloqueou quase completamente o Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao de Omã, e anunciou que não sairia da região "nem uma única gota de petróleo" por mar, o que disparou os preços dos combustíveis.
  • Por sua vez, as forças americanas iniciaram na segunda-feira (13) o bloqueio de todo o tráfego marítimo que entra ou sai dos portos iranianos.
  • Após o acordo de trégua entre Israel e o Líbano, firmado na quinta-feira (16), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou que o Estreito de Ormuz será aberto para navios comerciais "durante o restante do período de cessar-fogo".
  • Paralelamente, foi informado que, se o bloqueio naval contra a República Islâmica imposto pelos EUA continuar, Teerã considerará isso uma violação do cessar-fogo e procederá ao fechamento do Estreito de Ormuz novamente.
  • Neste sábado (18), o Irã restabeleceu o controle militar sobre todo o tráfego no Estreito de Ormuz devido às repetidas violações e atos de pirataria por parte dos EUA, sob o pretexto do bloqueio naval.

  • Dada a situação, o controle sobre Ormuz voltou ao estado anterior e o estreito encontra-se sob vigilância e controle rigorosos das forças iranianas, que não o suspenderão até que os EUA liberem a circulação de navios do Irã para seus destinos e vice-versa.