
'Cúmulo da hipocrisia': Irã critica UE por ter dois pesos e duas medidas em suas declarações

O governo iraniano dirigiu duras críticas à União Europeia, classificando como "o cúmulo da hipocrisia" as recentes reivindicações do bloco europeu sobre a livre circulação no Estreito de Ormuz.
Anteriormente, a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, havia exigido que o Irã abandonasse qualquer plano de cobrar pedágio para a passagem, argumentando que, segundo o direito internacional, a passagem por essas vias navegáveis "deve permanecer aberta e isenta de taxas".
Em resposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, denunciou a hipocrisia da postura Kallas. "Ah, esse 'direito internacional'? Aquele que a UE tira da gaveta para dar lições aos outros enquanto, em silêncio, dá luz verde a uma guerra de agressão dos EUA e de Israel e faz vista grossa às atrocidades contra os iranianos?", questionou com ironia o porta-voz iraniano.

"O cúmulo da hipocrisia"
O porta-voz também exigiu que as autoridades europeias evitem os "sermões", afirmando que "o fracasso crônico da Europa em colocar em prática o que prega transformou seu discurso sobre o 'direito internacional' no cúmulo da hipocrisia".
"Nenhuma norma do direito internacional proíbe o Irã, um Estado costeiro, de tomar as medidas necessárias para impedir que o estreito de Ormuz seja utilizado para lançar uma agressão militar contra o Irã", enfatizou Baghaei. Além disso, acrescentou que a premissa do "trânsito incondicional" se desvaneceu no momento em que os Estados Unidos e Israel mobilizaram forças militares nas proximidades do estreito.
Fechado para navios inimigos
- Após a agressão de EUA e Israel, o Irã bloqueou quase completamente o Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao de Omã, e anunciou que não sairia da região "nem uma única gota de petróleo" por mar, o que disparou os preços dos combustíveis.
- Por sua vez, as forças americanas iniciaram na segunda-feira (13) o bloqueio de todo o tráfego marítimo que entra ou sai dos portos iranianos.
- Após o acordo de trégua entre Israel e o Líbano, firmado na quinta-feira (16), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou que o Estreito de Ormuz será aberto para navios comerciais "durante o restante do período de cessar-fogo".
- Paralelamente, foi informado que, se o bloqueio naval contra a República Islâmica imposto pelos EUA continuar, Teerã considerará isso uma violação do cessar-fogo e procederá ao fechamento do Estreito de Ormuz novamente.
Neste sábado (18), o Irã restabeleceu o controle militar sobre todo o tráfego no Estreito de Ormuz devido às repetidas violações e atos de pirataria por parte dos EUA, sob o pretexto do bloqueio naval.
Dada a situação, o controle sobre Ormuz voltou ao estado anterior e o estreito encontra-se sob vigilância e controle rigorosos das forças iranianas, que não o suspenderão até que os EUA liberem a circulação de navios do Irã para seus destinos e vice-versa.
