
Vacina contra herpes-zóster provoca efeito colateral que deixa cientistas animados

Uma pesquisa liderada por cientistas da Universidade Brown, nos Estados Unidos, identificou um efeito colateral inesperado e potencialmente benéfico da vacina Shingrix, usada contra herpes-zóster. Trata-se de uma redução de 24% no risco de desenvolvimento de demência em idosos.
O estudo, publicado nesta segunda-feira (22) pela revista científica Science Alert, analisou dados de 509.926 pacientes com 66 anos ou mais, acompanhados por até quatro anos após admissão em instituições de cuidados de longa permanência.

Segundo os resultados, o risco de demência ao longo do período foi de 18,8% entre os vacinados, contra 24,6% entre os que não receberam a imunização. Na prática, isso representa uma redução relativa de cerca de 24%.
Os cientistas ainda não sabem exatamente por que isso acontece. Uma das hipóteses é que a vacina reduza infecções por herpes-zóster, que podem provocar neuroinflamação e aumentar o risco de acidente vascular cerebral, fatores associados ao surgimento de quadros de demência.
Outra possibilidade é que a vacina exerça um efeito mais amplo sobre o sistema imunológico, com reflexos positivos para a saúde cerebral.
Apesar do resultado promissor, os autores alertam que a pesquisa é observacional e não comprova uma relação direta de causa e efeito. Pessoas mais preocupadas com a própria saúde, por exemplo, tendem a se vacinar mais e também podem adotar hábitos que reduzam o risco de demência.
Os pesquisadores destacam que serão necessários novos estudos para confirmar os resultados e compreender os mecanismos biológicos envolvidos.
