A Irmandade do Mar — RT Reporta

Em Cuba, a pesca não é apenas uma forma de ganhar a vida. Não é também, como se costuma dizer, um modo de vida. É muito mais: é uma maneira de entender a vida, de se relacionar com a natureza e com seus semelhantes, de enfrentar a passagem do tempo, a incerteza, as tristezas e as alegrias. Mas, seja pescando em alto mar ou jogando linha no Malecón de Havana, se há algo que une todas essas pessoas, é a atração irresistível que o mar exerce sobre elas e que o tempo não consegue aplacar.

Cercada por ondas azuis de todos os lados, Cuba é o lugar perfeito para entender a paixão das pessoas pelo mar e as atividades que ele oferece. Foi esse país e sua nação que inspiraram o famoso escritor norte-americano Ernest Hemingway a criar uma das suas obras mais famosas - O Velho e o Mar.

O mar e seus frutos se tornaram sentido da vida para pescadores da nação caribenha, vários dos quais seguem esse caminho geração por geração. Mas mesmo que esses pescadores tenham seus próprios caminhos e histórias, o mar os une na verdadeira irmandade em que cada um ajuda os outros a suportar desafios lançados pelo mar.

"Até a minha esposa me disse para deixar a pesca, mas na verdade eu sou apaixonado pelo mar", disse à RT Orlando Herrera, um comandante da embarcação cubana com mais de sessenta anos de experiência de pesca.

De efeito, por trás da peixe, é esforço enorme, conhecimento profundo e a forma diferente de viver a vida. A pesca duradoura traz vários problemas para saúde, prejudicando ossos, pele e visão, mas ainda guarda perigos desconhecidos. Mesmo assim, nenhuma dessas dificuldades afastou o pescador Orlando do seu negócio, que ele começou ainda com 14 anos.

Contudo, além do dano à saúde, a pesca é uma atividade incrivelmente difícil para psíquica de pessoas que têm que passar várias semanas sem ver a terra e suas famílias. “Quando o trabalho acaba, sempre vem o pensamento e a saudade da família”, desabafou um pescador Eliguarre Cortés.

Vida de aventuras e riscos

Várias histórias ouvidas pelo repórter da RT Oliver Zamora Oria fazem mergulhar em uma vida de pescadores cheia de aventuras e perigos, mas, para eles, o desejo que eles guardam nos corações é poder compartilhar esses momentos com aqueles que eles deixaram na terra.

Aliás, nem saudade e mágoa, nem obstáculos criados pela natureza fazem os cubanos abandonarem a pesca. Seja dono de restaurante, pescador experiente, ou residente de Havana desfrutando da pesca ao pôr do sul, quando perguntado se queria deixar esse modo de vida, a resposta resoluta sempre foi o "não".