O fim da civilização? Petro alerta para o retorno à 'barbárie' e ao desrespeito ao Direito Internacional

No novo episódio de "Conversando con Correa", o ex-presidente colombiano Gustavo Petro criticou o uso da inteligência artificial como ferramenta de controle, o papel dos Estados Unidos na geopolítica e o risco de uma "barbárie" que ameaça a civilização e o direito internacional.

O bate-papo entre Rafael Correa e o ex-presidente colombiano Gustavo Petro, em um novo episódio da última temporada de "Conversando com Correa", começou com uma análise das consequências pessoais e políticas das declarações de Petro na Assembleia Geral da ONU.

Questionado sobre as sanções e medidas unilaterais impostas pelos Estados Unidos — como sua própria inclusão na lista OFAC do Departamento do Tesouro — Petro defendeu sua posição com uma premissa ética: "A verdade nos liberta".

O ex-presidente afirmou que a verdade é mais fundamental do que nunca, alegando que o mundo vive uma era de manipulação em massa. Segundo Petro, essa distorção da realidade não é acidental, mas busca desviar a atenção pública para facilitar o saque de recursos públicos em benefício de grupos de poder concentrados.

A ascensão do "tecnofascismo" e o controle da informação

Um dos pontos mais críticos do diálogo foi o alerta de Petro sobre o poder das grandes empresas de tecnologia e da inteligência artificial.

Citando a influência de figuras como Peter Thiel, o ex-presidente descreveu um cenário de "tecnofascismo" ou "orwellianismo moderno".

Ele argumentou que o controle não reside mais exclusivamente no Estado (o tradicional "Grande Irmão"), mas em grupos privados transnacionais que usam a tecnologia para traçar perfis, monitorar e manipular a humanidade.

Ele relacionou esse poder tecnológico aos conflitos atuais, observando que a informação digital tem sido usada para facilitar ações militares e genocídios, e mencionou especificamente o caso de Gaza.

Geopolítica da Energia: Ucrânia e a Perspectiva da Europa

Ao analisar o conflito na Ucrânia, Petro apresentou uma interpretação que desafia a narrativa ocidental convencional. Ele caracterizou a guerra como uma "luta entre irmãos" que foi instrumentalizada pela Europa Ocidental.

Para Petro, o interesse das potências ocidentais na Ucrânia é primordialmente extrativista: buscar mão de obra barata e insumos para sustentar seu próprio desenvolvimento.

Ele afirmou a identidade europeia da Rússia, argumentando que a cultura, a história e o território europeus se estendem além das fronteiras da União Europeia, até os Montes Urais.

Declínio do Direito Internacional e o Retorno à "Barbárie"

Ao ser questionado sobre a capacidade da comunidade internacional de conter as grandes potências, o ex-presidente foi enfático: o direito internacional está sendo destruído.

Ele alertou que o desrespeito às normas multilaterais e as ações unilaterais de potências como os EUA marcam o "início da barbárie".

O ex-presidente colombiano enfatizou que atacar a justiça internacional — como as tentativas de desacreditar os juízes do Tribunal Penal Internacional — é um ataque aos fundamentos da civilização.

Para Petro, a transição da democracia global para essa nova ordem de força bruta representa um retrocesso rumo a um sistema onde prevalece apenas a lei do mais forte.