A hidrelétrica de Itaipu Binacional confirmou que mantinha recursos depositados no Ueno Bank, instituição financeira paraguaia extinta por problemas de insolvência, e anunciou ações legais perante a Procuradoria Geral paraguaia para recuperar os fundos bloqueados.
A binacional esclareceu que passou a operar com o Ueno Bank em janeiro de 2025, segundo comunicado oficial. Os valores depositados até 3 de novembro incluíam 115,2 bilhões de guaranis (cerca de US$ 18,7 milhões) e outros US$ 163,8 milhões, consolidando um total em aproximadamente US$ 183 milhões — isto é, pouco mais de R$ 1 bilhão.
Os recursos representariam 7,6% do dinheiro recebido através de remessas do Brasil durante o período 2024-2026, incluindo valores da Administração Nacional de Electricidade paraguaia (ANDE) e transferências entre contas próprias.
A intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP) congelou recursos de milhares de correntistas, provocando mobilizações públicas e a destituição do presidente do Paraguai, Santiago Peña. Entre os afetados estão 32 mil aposentados do Instituto de Previdência Social (IPS), que mantinha US$ 355 milhões investidos no banco, além de recursos da ANDE e outras caixas de pensão.
Itaipu assegurou que a situação não compromete suas atividades normais e informou acompanhar os procedimentos do BCP. A hidrelétrica destacou que, nos últimos dois anos, registrou níveis históricos de disponibilidade financeira no Paraguai, gerando cerca de US$ 450 milhões em rendimentos.
A crise do Ueno Bank começou quando o Banco Central abriu um procedimento de resolução da instituição devido a problemas financeiros. A paralisação das operações afetou cerca de 2,9 milhões de clientes, incluindo brasileiros.
Entre as acusações contra Peña estão seus antigos vínculos acionários com o grupo que controlava o banco e a nomeação de Carvallo para comandar o órgão regulador.
A investigação também abrange a aplicação de aproximadamente US$ 355 milhões do Instituto de Previdência Social no Ueno Bank, em operações cujos limites legais foram questionados.