OConselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) repudiaram a conduta do prefeito de Barreiros, Carlinhos da Pedreira (PP), após ele expulsar aos gritos e demitir dois médicos de um hospital municipal. A informação foi publicada pela mídia local.
O episódio ocorreu no Hospital Jailton Messias de Souza Albuquerque. Em nota, o Cremepe criticou a exposição pública dos profissionais durante a fiscalização realizada pelo prefeito.
"A fiscalização dos serviços públicos de saúde não confere a qualquer gestor o direito de expor médicos ao julgamento público, tampouco comprometer sua honra, imagem e dignidade profissional", afirmou o conselho.
O Simepe também condenou a postura do prefeito. Segundo a entidade, embora a fiscalização dos serviços públicos seja uma atribuição da gestão municipal, humilhar trabalhadores, antecipar julgamentos e expô-los ao descrédito são atitudes incompatíveis com a responsabilidade do cargo.
Médicos descansavam após 12 horas de plantão, diz sindicato
O sindicato afirmou ter recebido relatos de que os dois profissionais, um homem e uma mulher, estavam descansando após 12 horas de plantão. A entidade ressaltou que a presença dos médicos no alojamento destinado ao repouso não autoriza insinuações de natureza íntima.
O episódio ocorreu durante uma fiscalização surpresa motivada por denúncias de que a emergência do hospital estava lotada. Ao encontrar os profissionais no alojamento, Carlinhos da Pedreira os acusou de dormir e "namorar" durante o plantão, chamou-os de vagabundos e determinou que deixassem a unidade.
"Um absurdo o que vocês estão fazendo. A emergência lotada de gente e vocês aqui dormindo, namorando? É um absurdo. Vou botar para fora agora. Saiam daqui, desse hospital", gritou o prefeito, conforme vídeos divulgados nas redes sociais.
Após as demissões, a Prefeitura de Barreiros anunciou a rescisão do contrato com a Associação João Paulo II, responsável pela administração do hospital. A Secretaria Municipal de Saúde assumirá temporariamente a gestão da unidade até a realização de um novo processo licitatório.