
Como a vitória do Partido Democrata nos EUA afeta planos de Trump para terras raras no Brasil?

A vitória esmagadora dos democratas nas eleições de meio de mandato complica o plano do presidente dos EUA, Donald Trump, para garantir acesso rápido do país a terras raras brasileiros.
Empresas de mineração que receberam bilhões de dólares em apoio da administração Trump agora enfrentam um novo risco com o aumento da fiscalização depois que os democratas dominaram o Senado e a Câmara dos Representantes, segundo informou a Bloomberg.

O foco das investigações
Segundo o análise do New York Times, 14 empresas de minerais críticos que já obtiveram ou estão em processo de obter apoio federal mantêm conexões com a família do presidente Trump ou com a do secretário de Comércio, Howard Lutnick, por meio de participações ou vínculos financeiros.
A estimativa do jornal é de que os valores fornecidos ou em análise pelo governo superem US$ 8,9 bilhões.
Democratas no Congresso, incluindo o deputado Jared Huffman, da Califórnia, e o senador Martin Heinrich, do Novo México, já pediram mais transparência em torno dos investimentos do governo em companhias de mineração e minerais.
As solicitações incluem informações sobre como os beneficiários foram escolhidos, qual autoridade legal amparou os investimentos e quais proteções foram estabelecidas para os contribuintes.
O risco está no uso, pelos democratas, do controle das comissões do Congresso para promover audiências, intimar documentos e investigar a seleção dos investidores beneficiados pela administração.
O analista da corretora TD Cowen John Miller, citado pela Bloomberg, afirmou que o objetivo dos democratas provavelmente não é romper contratos legalmente vinculativos já assinados.
No entanto, ele avaliou que empresas cujo apoio governamental ainda não foi finalizado ou está em andamento de forma condicional podem enfrentar dificuldades para levar seus projetos adiante.
Como a reeleição de Lula afeta os negócios de Trump
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, nas eleições presidenciais também deve afetar o plano de cadeia de suprimentos dos EUA.
Caso o adversário de Lula, Flávio Bolsonaro — cuja família é próxima de Trump — tivesse vencido no mês passado, os Estados Unidos poderiam ter acelerado seus aportes na riqueza mineral brasileira, um trunfo paraWashington na competição com a China por matérias-primas fundamentais para a indústria moderna.
Segundo a Reuters, o governo Lula planeja novas regulamentações para o setor, que serão estabelecidas pelo Conselho Nacional para a Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), que tem competências para fiscalizar investimentos estrangeiros em direitos minerais e exigir o processamento dentro do país.
O investimento dos EUA continuará sendo bem-vindo, mas o conselho dará prioridade ao processamento de terras raras dentro do Brasil, em vez de exportá-las como matéria-prima, disseram eles.
Novas regras regularão os incentivos ao investimento e a classificação de projetos prioritários em terras raras, que são essenciais para as indústrias de tecnologia, automotiva e de energia.
Para obter terras raras do Brasil, as empresas americanas devem levar em conta as condições impostas pelo governo brasileiro, como a instalação de unidades de beneficiamento no território nacional e o compartilhamento de tecnologia.

