O Partido dos Trabalhadores (PT) iniciou nesta semana conversas com presidentes de partidos políticos visando definir a composição ministerial para o quarto mandato de Lula, conforme reportado pela Folha de S.Paulo.
O presidente do PT, Edinho Silva, foi delegado pelo petista para conduzir as primeiras rodadas de diálogo, solicitando das legendas propostas programáticas e estimativas de votos no Congresso Nacional. Edinho já recebeu dirigentes de pelo menos quatro partidos — MDB, PSD, PSB e União Brasil —, alguns dos quais apoiaram Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. A orientação é transmitir a mensagem de "página virada" da eleição.
Até o momento, não houve conversas diretas sobre pastas específicas, com a definição dos próximos ministros prevista apenas para o final de novembro, após a viagem de Lula à Turquia e às Filipinas, onde participará da COP31 em Antália e da cúpula da ASEAN em Cebu.
O presidente do PT tem reforçado aos interlocutores que o governo mudará a forma de construir alianças, exigindo clareza sobre quantos votos cada legenda pode entregar, principalmente em temas sensíveis. Lula sinalizou que não aceitará indicações apenas pelo viés político, exigindo dos escolhidos um plano detalhado para seus respectivos setores antes de confirmá-los no comando dos ministérios.
Prospectos e novo Ministério
Entre os nomes cotados, segundo levantamento do jornal O Globo, destaca-se o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) como principal candidato ao futuro Ministério da Segurança Pública. Conhecido por sua atuação contra o PCC, Gakiya foi sondado por Lula para o cargo.
Fontes do jornal Metrópoles detalham que, caso o promotor não aceite o convite, o escolhido deverá ser Chico Lucas, atual secretário nacional de Segurança Pública.
A criação do Ministério da Segurança Pública é prioridade de Lula após a aprovação da PEC da Segurança pelo Senado em 3 de novembro. A expectativa é que o presidente assine medida provisória para criar a nova pasta ainda neste mês, promessa condicionada à aprovação da proposta pelo Congresso. Integrantes do Ministério da Justiça já se preparam para o desmembramento em duas estruturas.
Outros nomes mencionados incluem o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), cotado para o Ministério da Fazenda, e o ex-prefeito de Recife João Campos, presidente do PSB, possivelmente para Ciência e Tecnologia. O senador Camilo Santana (PT-CE) é especulado tanto para Segurança Pública quanto para Casa Civil.
Movendo as peças
Quanto aos partidos do centrão que sustentaram o governo Lula 3 — PSD, MDB e União Brasil —, cada um teve três ministérios. Um novo loteamento ganha importância especialmente diante da composição do Senado, onde a situação é mais hostil ao governo.
Diante das chances de Rogério Marinho (PL-RN) assumir o comando da Casa em fevereiro, a divisão de cargos pode ser feita visando impulsionar a reeleição de Davi Alcolumbre na presidência do Congresso.
O presidente do MDB e afilhado político de Michel Temer, Baleia Rossi, já recebido por Edinho, classificou a conversa como um "quebra-gelo", confirmando que foi discutida a pauta econômica e o a própria perspectiva emedebista para o Brasil. Já o PSD comunicou ao Planalto interesse em manter André de Paula na Agricultura e indicar nome para a Pesca.