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Bolsonaro perde apoio entre militares no Brasil com fuga para os EUA

Uma fonte da Folha de S.Paulo afirmou que, no meio militar, sair sem admitir a derrota nem se dirigir aos apoiadores é encarado como a atitude de um comandante que deixa seus subordinados para trás, o que é imperdoável.
Bolsonaro perde apoio entre militares no Brasil com fuga para os EUAGettyimages.ru / Ton Molina

Membros das Forças Armadas do Brasil intensificaram o apoio ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como possível candidato à Presidência em 2030 após Flávio Bolsonaro ser derrotado nas eleições presidenciais de 2026 e fugir do Brasil para os Estados Unidos, informa a Folha de S.Paulo.

"Menos Bolsonaro, mais Tarcísio", diz o jornal citando um ex-comandante ao descrever o clima nas Forças Armadas após as eleições. 

Conforme a reportagem, Tarcísio de Freitas, que já era o preferido dos militares para a Presidência, passou a se distanciar do bolsonarismo e analisa disputar o Palácio do Planalto depois de seu novo mandato como governador, em 2030.

O veículo entrevistou membros do Exército, da Marinha e da Força Aérea entre ex-comandantes e oficiais com atuação em vários governos ao longo dos últimos 20 anos. A maioria das fontes demonstrou rejeição à fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA após a derrota eleitoral. 

Um dos oficiais afirmou que, no âmbito militar, sair sem admitir a derrota nem se dirigir aos apoiadores é interpretado como a conduta de um chefe que abandona os subordinados, o que é imperdoável para um militar.

Сandidatura que inspira confiança

Conforme o jornal, na "família militar", ele é visto como o dirigente mais próximo dos valores conservadores e, ao mesmo tempo, como o nome mais bem posicionado para uma futura disputa presidencial — tanto pela passagem pelos governos de Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro quanto por chefiar o estado mais rico e populoso do Brasil.

Um coronel recém-transferido para a reserva elogiou a formação de Tarcísio no Instituto Militar de Engenharia, depois da Academia Militar das Agulhas Negras, e sua participação em uma unidade de engenharia na missão da ONU no Haiti liderada pelo Brasil. Para ele, esses antecedentes criam um vínculo com o Exército mais forte do que o de Bolsonaro e seus filhos. 

Tarcísio de Freitas foi lançado politicamente por Jair Bolsonaro e até hoje evita romper com ele. No entanto, entre os militares, cresce a convicção de que o afastamento entre os dois se dará no próximo pleito.

Nos quartéis, a percepção dominante é de que a ala mais radical do bolsonarismo continuará fiel à família Bolsonaro, mas também existe a expectativa de que, em caso de ruptura, a maioria migre para o governador de São Paulo.