
Tarcísio se pronuncia sobre carta de Flávio: 'Entendo indignação, mas caminho é seguir em frente'

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que o candidato derrotado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), deve respeitar o resultado das eleições "e seguir em frente". A declaração ocorreu após o senador fugir para os Estados Unidos e divulgar uma carta, na qual se autodeclara "líder" do Brasil e acusa, sem apresentar provas, fraude eleitoral.
"A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente", disse Tarcísio, citado pelo portal G1.

O governador seguiu o tom de sua declaração anterior, quando reconheceu a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na fala mais recente, enfatizou que "o momento exige responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte, capaz de exercer seu papel".
"É assim, respeitando o processo democrático e trabalhando dentro das instituições, que vamos fortalecer o sistema de freios e contrapesos que sustenta a nossa democracia", complementou.
Autoproclamação e retratação
Em uma carta pública, Flávio Bolsonaro autoproclamou-se "presidente eleito" do Brasil e alegou, sem provas, ter sido vítima de uma "fraude eleitoral" e "perseguição política" por parte do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O parlamentar é alvo de duas investigações na Suprema Corte, que envolvem suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
No documento, ele se comparou a figuras históricas como José Martí (herói da independência cubana) e Charles de Gaulle (estadista francês que liderou as Forças Francesas Livres na Segunda Guerra Mundial), e afirmou que "sua luta pela democracia, pela liberdade e pelos direitos humanos no Brasil está apenas começando".
Flávio também insistiu que "é o presidente eleito" e que "os criminosos que roubaram a eleição no Brasil fazem parte de uma organização criminosa que instaurou uma tirania". O candidato derrotado por Lula declarou que liderará a oposição do exterior e pediu à comunidade internacional que "não normalize o que está ocorrendo no Brasil".
Em seguida, divulgou uma versão editada do documento, na qual substituiu a expressão "presidente eleito" por "líder", embora tenha mantido o restante das acusações contra as instituições de seu país, o presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e Moraes, a quem acusou de parcialidade contra sua família e seus apoiadores.
