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Três registros, duas vans e voos privados: os detalhes da fuga de Flávio Bolsonaro aos EUA

Investigação aponta rota de fuga pela Argentina, registros migratórios com documentos diferentes e um voo privado de US$ 150 mil.
Três registros, duas vans e voos privados: os detalhes da fuga de Flávio Bolsonaro aos EUAGettyimages.ru / Buda Mendes

Uma investigação exibida pelo Fantástico no portal g1 revelou detalhes da viagem do candidato derrotado à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos, incluindo três registros de entrada na Argentina em apenas 40 minutos e a participação de um homem apontado como ex-integrante da inteligência israelense.

Voos e travessia pela fronteira

Segundo uma das versões apuradas, Flávio deixou Brasília em um jato ligado ao advogado Willer Tomaz, enquanto sua esposa, Fernanda, e as duas filhas seguiram separadamente até Cascavel (PR), de onde cruzaram a fronteira em uma van da empresa Iguaçu Dallas Travel Turismo.

Documentos migratórios mostram que Flávio teve três entradas registradas na Argentina, às 22h37 com passaporte italiano, às 22h40 com carteira de motorista e às 23h11 com passaporte brasileiro.

Os dois registros feitos com documentos brasileiros foram posteriormente cancelados.

Na segunda van estavam o motorista Neri Luiz Dala Corte, o advogado Roberto Jorge Alexandre e o israelense Menachem Booky Halevy, apontado como ex-oficial da inteligência de Israel.

Apesar dos registros terrestres, a principal linha de investigação considera que Flávio chegou a Puerto Iguazú de avião vindo de Buenos Aires.

Escolta e voo para os EUA

O caso provocou questionamentos na Argentina, onde a Justiça determinou a preservação das gravações das câmeras de segurança da fronteira e do aeroporto de Puerto Iguazú, enquanto que a deputada Marcela Pagano afirmou ter solicitado esclarecimentos sobre a fiscalização migratória, a escolta policial e o uso de veículos diplomáticos.

A viagem prosseguiu em um Gulfstream G400 da empresa Baires Fly, e seu proprietário afirmou que o voo custou US$ 150 mil, pagos por um intermediário do setor de aviação nos Estados Unidos.

A aeronave teria sido providenciada por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, que confirmou o seu envolvimento na organização da viagem.

Após uma parada em Guayaquil, no Equador, a aeronave chegou à região de Miami.

Donald Trump afirmou que Flávio Bolsonaro pode permanecer nos Estados Unidos pelo tempo que quiser, mas descartou a possibilidade de se encontrar com o senador.

O que dizem os envolvidos?

O secretário de Estado americano Marco Rubio negou participação de Washington na organização da viagem: "Não facilitamos nada. Não tivemos nenhuma participação nos preparativos que ele fez. O governo dos Estados Unidos não teve participação direta em nenhuma das movimentações realizadas".

Flávio contestou o resultado das eleições brasileiras em uma carta divulgada após sua chegada. Na primeira versão, ele declarou ser o "verdadeiro presidente eleito do Brasil" e acusou seus adversários de fraude eleitoral sem apresentar provas, mas depois modificou o texto e passou a se definir como "líder do Brasil".

Seu advogado Frederick Wassef negou que a viagem tenha sido uma fuga.

A assessoria de Willer Tomaz também rejeitou o uso de aeronaves ligadas ao advogado; a Baires Fly não respondeu à reportagem.

Duas investigações sob suspeita

O caso ganhou relevância depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o cancelamento dos passaportes comum e diplomático de Flávio e estabeleceu que ele deveria entregar seus documentos à Polícia Federal tendo em vista as investigações em andamento e à possibilidade de deixar o território brasileiro.

O senador é alvo de duas investigações: uma apura um possível pedido de recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, para financiar o filme 'Dark Horse', sobre Jair Bolsonaro, além de suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e evasão de divisas.

A outra examina sua relação com o advogado Willer Tomaz diante de indícios de movimentações financeiras suspeitas.