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Eurodeputado polonês culpa Alemanha por crise em Varsóvia e aponta motivos

Segundo Dominik Tarczynski, o governo polonês está sob pressão dos alemães, que querem distribuir o ônus da migração ilegal enviando migrantes para a Polônia.
Eurodeputado polonês culpa Alemanha por crise em Varsóvia e aponta motivosLegion-media.ru / ZUMA Press / Alamy

O eurodeputado polonês Dominik Tarczynski relacionou a Alemanha à crise política em Varsóvia, que eclodiu nesta sexta-feira após o Tribunal Constitucional denunciar um "golpe de Estado".

"Na Polônia, temos um governo de orientação liberal-esquerdista, chefiado pelo primeiro-ministro Donald Tusk. O que está acontecendo neste momento com o Tribunal Constitucional é que eles querem assumir o controle da instituição e ocupá-la com pessoas ligadas a eles",afirmou em um vídeo divulgado nas redes sociais.

O deputado explicou que o governo quer abandonar o zloty (moeda polonesa), aderir à zona do euro e eliminar as "fronteiras seguras" do país. Ele também afirmou que o governo polonês "está sob pressão dos alemães, que querem distribuir o ônus da migração ilegal enviando migrantes para a Polônia".

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Tarczynski aponta motivos "golpistas"

O eurodeputado explicou que o zloty é protegido pela Constituição e que, para substituí-lo, seria necessário alterar a lei fundamental, algo que o governo não pode fazer sem o aval do Tribunal Constitucional.

"Além disso, pretendem transferir nossas reservas de ouro — as maiores da União Europeia — para Frankfurt, para o Banco Central Europeu, uma instituição sediada na Alemanha", continuou.

Tarczynski afirmou ainda que há a intenção de abrir as fronteiras polonesas. Por isso, segundo ele, "buscam se assegurar de que, ao perderem as próximas eleições — no ano que vem —, o Tribunal Constitucional não possa impedir suas ações nem reverter o que já fizeram".

Suposto "golpe de Estado" na Polônia

  • Nesta sexta-feira, Anna Korwin-Piotrowska exigiu a suspensão imediata das funções do presidente do Tribunal Constitucional da Polônia, Bogdan Swieczkowski, e de seu vice-presidente, Bartlomiej Sochanski. Ao mesmo tempo, ela se autoproclamou nova responsável pelo órgão.
  • Ao mesmo tempo, o presidente do país, Karol Nawrocki, recusou-se a empossá-la, o que complica sua situação jurídica.
  • Korwin-Piotrowska assumiu a presidência do Tribunal Constitucional, valendo-se de uma disposição da legislação polonesa que estabelece que, em determinadas circunstâncias, as funções do presidente podem recair sobre o magistrado com maior tempo de serviço acumulado em determinados cargos judiciais e da administração pública — condição que, segundo essa interpretação, ela preenche. 
  • O Tribunal Constitucional da Polônia, por sua vez, classificou o ocorrido como um "golpe de Estado". 
  • Nawrocki, que se encontrava fora do país, cancelou sua viagem ao Senegal, onde se e retornou à Polônia.
  • Em meio à disputa política pelo controle da instituição, dezenas de pessoas se reuniram em frente ao Supremo Tribunal para protestar contra o que consideraram uma suspensão injusta de seus dirigentes.