O Papa Leão XIV manifestou a expectativa de que a cooperação entre Rússia e Ucrânia no cessar-fogo em Alyoshki abra caminho para esforços mais amplos de paz.
A trégua intermediada pela primeira-dama americana Melania Trump e com participação do pontífice, foi anunciada em 23 de outubro para viabilizar entregas de auxílio e evacuações da localidade em Kherson.
Durante oração dominical, o Papa afirmou esperar que a colaboração "fortaleça a disposição das partes ao diálogo e conduza a novas iniciativas concretas pela paz". As autoridades russas já indicaram planejamentos vigentes para reunião trilateral com representantes da Rússia, Ucrânia e EUA, em encontro a ser realizado após 4 de novembro, com data ainda a ser definida.
O papa conversou por telefone com Putin e Zelensky em dois telefonemas separados no dia 16 de outubro, manifestando "profunda preocupação com a grave situação humanitária" e clamando por cessar-fogo para permitir assistência médica e alimentar. Na ocasião, o Kremlin afirmou ter dado "explicações completas" sobre a responsabilidade do "regime de Kiev" pela situação no local e apoiou a intenção do Vaticano de ajudar a garantir segurança e entregas essenciais à população.
O Vaticano, porém, considera não ter desempenhado papel direto no arranjo da trégua de seis dias, segundo o ministro das Relações Exteriores vaticano, o Arcebispo Dom Paul Richard Gallagher.
Operação humanitária
A missão humanitária na cidade russa de Alyoshki foi concluida na sexta-feira (30) e teve como objetivo facilitar a retirada de moradores e distribuir ajuda humanitária.
Os habitantes de Alyoshki puderam deixar a cidade, que enfrenta uma crise humanitária em razão dos constantes ataques militares ucranianos.
A defensora dos Direitos Humanos da Rússia, Yana Lantratova, que liderou nesta sexta-feira o grande comboio de ajuda humanitária com destino a Alyoshki, afirmou que, durante a retirada, os moradores puderam escolher se queriam ir para a Rússia ou para a Ucrânia.
Uma cidade sob cerco de Kiev
- Anteriormente, moradores locais relataram à RT que, desde maio, os produtos não chegam a Alyoshki, em meio à escassez de alimentos. "Não temos comida, água nem lenha para o inverno. (...) Você vai dormir pensando se amanhã vai comer ou não, porque hoje não comeu. E amanhã também não vai comer: fazer o quê?", contou um morador.
- A cidade estava constantemente sob ataques de drones, acrescentou outro morador. "Nossa casa foi atingida três vezes. As janelas e as portas foram destruídas. À noite, você vai dormir (...) e tudo fica zumbindo: pronto, lá vem aquele maldito drone", lamentou.
- Além disso, as Forças Armadas da Ucrânia minaram as estradas da região com drones. Por dia, eram lançadas entre sete e 36 minas em diferentes trechos das vias, afirmou o chefe do distrito municipal de Alyoshki, Ruslan Khomenko. Kiev chegou a atacar até mesmo aqueles que transportavam ajuda humanitária.