Uma equipe da RT chegou à cidade russa de Alyoshki como parte de um grupo de jornalistas que acompanhou a missão humanitária.
A cidade sofreu com o cerco das forças ucranianas, que deixou moradores presos e sem acesso a alimentos e medicamentos. Alyoshki fica na linha de frente do conflito, e a população foi diretamente afetada pelo bloqueio. Após meses de cerco, a ajuda humanitária finalmente conseguiu chegar à localidade.
Foram entregues suprimentos essenciais e civis receberam ajuda para deixar a cidade no âmbito de um cessar-fogo temporário entre Moscou e Kiev.
Relatos em primeira mão
Ao entrar na cidade, a equipe da RT registroucasas incendiadas, janelas destruídas e edifícios danificados, marcas dos bombardeios ucranianos.
O clima no local é de calmaria tensa. Ninguém pode deixar o perímetro estabelecido devido ao risco de explosivos nas ruas, em meio a rigorosas medidas de segurança. Mais de mil pessoas viveram na própria pele os ataques contínuos das forças ucranianas.
O corredor humanitário permitiu a entrada de alimentos e produtos de primeira necessidade, além de oferecer às pessoas que desejam deixar a cidade a possibilidade de seguir em segurança para a Rússia ou para a Ucrânia.
"Dez drones caíram sobre minha casa. A casa pegou fogo, e o apartamento também. Tudo foi destruído. Não tenho mais nada", contou à RT uma mulher que foi a única sobrevivente de sua família após o cerco.
Os moradores esperam que a paz chegue em breve. Apesar do risco de novos ataques das forças ucranianas, muitos decidiram permanecer na cidade por considerá-la sua terra natal.
Operação complexa
A evacuação e a entrega de ajuda humanitária estão sendo realizadas durante um cessar-fogo temporário entre Moscou e Kiev, coordenado com a participação da primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump. A operação é acompanhada pelos comissários de direitos humanos da Rússia e da Ucrânia.
Antes da abertura do corredor humanitário, foram realizados trabalhos de desminagem na estrada, uma tarefa difícil e perigosa. Os explosivos representam uma ameaça mortal para os civis e são altamente sensíveis, podendo detonar com o menor impacto mecânico. Segundo as Forças Armadas russas, grande parte dos artefatos foi fabricada no Ocidente.
Os últimos dias trouxeram alívio à população de Aleshki, mas a ameaça das forças ucranianas, entrincheiradas a poucos quilômetros da cidade, permanece.
"Estamos garantindo a segurança"
A defensora dos direitos humanos da Rússia, Yana Lantratova, que nesta sexta-feira (30) liderou o grande comboio de ajuda humanitária a Aleshki, afirmou que, durante a evacuação, os moradores puderam escolher se queriam seguir para a Rússia ou para a Ucrânia.
"Como nosso presidente afirmou, hoje oferecemos essa oportunidade. Quem quiser ir para o território russo poderá fazê-lo. Quem quiser seguir para o território ucraniano também terá essa possibilidade. Estamos garantindo a segurança e oferecendo os meios para que as pessoas possam partir. Nossa missão é humanitária", declarou.
Lantratova agradeceu à primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, pela mediação e afirmou que o acordo entre as partes foi alcançado graças aos esforços dela.
"Considero essa cooperação construtiva um caminho muito importante. Espero que possamos alcançar ainda mais resultados", destacou.
"Foi horrível"
Os moradores de Alyoshki relataram a situação catastrófica que viveram na cidade antes de serem evacuados.
"A Rússia ajudou em tudo o que pôde, com medicamentos, com os idosos e com pessoas que sofrem de problemas cardíacos. Houve ajuda humanitária. Quanto à Ucrânia, não ajudou em nada. Tudo foi graças à Rússia", afirmou um morador.
Outro residente contou que, durante o verão, muitos drones atacaram a cidade, mas que, "a partir do outono, os drones, por assim dizer, deixaram de nos atacar".
"Como nossos familiares não tinham nada para comer, as pessoas começaram a ir até a localidade vizinha, a cerca de 20 quilômetros de distância, para comprar alimentos e depois voltar", relatou.