
Refúgio de foragidos? Lista de políticos latino-americanos que fugiram para EUA

O candidato derrotado nas eleições presidenciais 2026, o sanador Flávio Bolsonaro, provocou um escândalo ao fugir para os EUA para escapar da justiça de seu país após ter perdido a eleição para Luiz Inácio Lula da Silva.
Mas ele não foi o único; os EUA receberam e protegeram outros políticos latino-americanos que foram acusados de diversos crimes em seus países e que, em vez de enfrentar a justiça, decidiram fugir e conseguiram permanecer impunes.
Entre eles está Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que em 2025 fugiu para os EUA enquanto era investigado por sua participação na tentativa de golpe de Estado que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, liderou em janeiro de 2023 contra Lula.
Candidato derrotado - O senador Flávio Bolsonaro (PL), sua esposa e as filhas do casal chegaram aos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (28). O avião que o senador utilizou para fugir do Brasil aterrisou em um aeorporto de Miami nesta manhã. ➡️ Em uma operação secreta, Flávio Bolsonaro, que descumpriu ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar seus passaportes, viajou aos EUA após entrar por terra na Argentina, embarcar em um avião particular, contornar o espaço aéreo brasileiro e fazer escala no Equador, de acordo com as fontes. O avião que transportou a família é um jatinho particular Gulfstream G400, aterrisou no aeroporto executivo Opa-locka, em Miami. Ainda não havia informaÇões, até a última atualização desta reportagem, sobre o proprietário da aeronave. Flávio Bolsonaro ainda não havia se manifestado após a fuga até a última atualização desta reportagem. Veja mais em #g1. #FlávioBolsonaro #EstadosUnidos #política #g1mundo
— g1 (@g1) October 28, 2026
Em junho de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão por ter cometido o crime de "coação", uma vez que tentou boicotar o julgamento por golpismo contra seu pai.
No entanto, ele ainda conta com a proteção do governo de Donald Trump, razão pela qual não se prevê sua extradição para seu país natal. Pelo contrário, agora ele terá a companhia de seu irmão, que desembarcou em Miami no dia 28 de outubro.
Foragidos mexicanos

Um dos casos mais polêmicos foi o do ex-candidato presidencial conservador Ricardo Anaya, que fugiu para os EUA em 2021, depois que a Procuradoria-Geral da República mexicana o acusou de ter recebido subornos milionários, imputando-lhe os crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e associação criminosa.
Anaya retornou ao México em 2024 e, como os processos judiciais contra ele não haviam avançado — e não resultaram em inelegibilidade —, ele pôde registrar sua candidatura ao Senado.
Ao conquistar a vaga, obteve automaticamente prerrogativas legais (foro) que impedem sua prisão até 2030 — ou por um período ainda maior, caso consiga, naquele ano, um novo cargo que lhe garanta blindagem judicial.
Outro político mexicano que desfruta da proteção dos EUA é Francisco Javier García Cabeza de Vaca, ex-governador do estado de Tamaulipas, que fugiu para os EUA em 2022, ao término de seu mandato, em meio a investigações sobre sua suposta cumplicidade com o narcotráfico.
Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte de Justiça ratificou um mandado de prisão contra o político conservador pelos crimes de lavagem de dinheiro e crime organizado; no entanto, o ex-governador permanece em liberdade no Texas, beneficiando-se de sua dupla nacionalidade — mexicana e norte-americana.
O ex-juiz José Ulises Bernabé, envolvido no desaparecimento dos 43 estudantes de Ayotzinapa — ocorrido em 2014, no estado mexicano de Guerrero —, também está sob proteção nos EUA, onde obteve asilo, apesar das constantes solicitações de extradição, as quais chegaram a ser reiteradas pela presidente Claudia Sheinbaum.
Acusados bolivianos
Um caso de grande repercussão foi o do ex-presidente da Bolívia, Gonzalo Sánchez de Lozada (1993-1997 e 2002-2003), que se valeu de sua nacionalidade norte-americana para fugir, em 2003, para aquele país. Ele reside lá desde então, embora sucessivos governos bolivianos tenham exigido sua extradição.
Sánchez de Lozada continua em liberdade, apesar de ter enfrentado um julgamento nos EUA no qual foi considerado responsável por violações aos direitos humanos durante seu governo na Bolívia. A condenação resultou em uma indenização milionária às famílias das vítimas.
Na Bolívia, os processos contra ele seguiram seu curso e, no final de 2024, o Tribunal Supremo de Justiça condenou-o a seis anos e três meses de prisão por corrupção. Isso encerrou um julgamento que durou duas décadas, mas não impediu que ele continuasse protegido nos EUA.
Da mesma impunidade desfruta seu ex-ministro da Defesa, Carlos Sánchez Berzaín, que fugiu para os EUA em 2003 após ser acusado de crimes contra a humanidade. Tais crimes foram cometidos durante a repressão a manifestantes — ocorrida naquele ano em El Alto e La Paz — que resultou em 60 mortos.
Desde então, o ex-autoridade — que também teve de indenizar as vítimas — nunca mais retornou ao país e passou a residir em Miami, onde dirige o Interamerican Institute for Democracy, uma organização de *lobby* da ultradireita latino-americana.

