Notícias

Alcolumbre cogita indulto ou anistia a Jair Bolsonaro para garantir apoio da direita no Senado — Imprensa

Segundo fontes próximas, a ideia do presidente do Congresso é libertar o ex-presidente sem restabelecer seu direito de disputar eleições, das quais está inelegível até pelo menos 2060.
Alcolumbre cogita indulto ou anistia a Jair Bolsonaro para garantir apoio da direita no Senado — ImprensaGettyimages.ru / Ton Molina

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), planeja negociar uma alternativa para a situação judicial de Jair Bolsonaro (PL) em troca do apoio de parlamentares de direita à sua reeleição. A informação foi publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, com base em relatos de dois aliados do senador.

Alcolumbre já conta com o apoio da esquerda e do centro, mas precisa ampliar sua base entre os partidos de centro-direita e o PL, que terá 29 senadores na próxima legislatura.

Negociações com Lula

Após as eleições, Alcolumbre pretende conversar com o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para defender a concessão de um indulto humanitário a Bolsonaro, preso desde agosto de 2025 por envolvimento na tentativa de golpe de Estado. A medida depende exclusivamente da decisão de Lula.

Segundo aliados do presidente do Senado, a iniciativa também deverá aguardar os desdobramentos da fuga de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil antes de avançar.

Caso Lula rejeite a proposta, o senador poderá tentar viabilizar uma anistia por meio do Congresso.

A intenção seria permitir a libertação do ex-presidente sem restabelecer seu direito de disputar eleições, das quais está inelegível até pelo menos 2060.

Trégua com o Supremo 

A articulação também buscaria reduzir a pressão da oposição pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), sobretudo Alexandre de Moraes, responsável pelo processo que condenou Bolsonaro. Pelo menos 49 dos 81 senadores eleitos defendem o afastamento de ministros do STF, embora sejam necessários 54 votos para aprová-lo.

Em contrapartida, Alcolumbre espera que os parlamentares deixem de priorizar o afastamento de integrantes da Corte e apoiem uma reforma mais ampla do Judiciário.

Outra alternativa em discussão é a aplicação de uma lei aprovada no fim de 2025 para reduzir as penas dos condenados pela invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília.

A norma está suspensa desde maio, à espera de uma decisão do plenário do STF sobre sua constitucionalidade.

Até o momento, porém, não há confirmação de um acordo entre Alcolumbre, Lula e as lideranças da direita.