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Netanyahu aposta tudo nas primeiras eleições após a guerra

Israel vai às urnas pela primeira vez desde a guerra, e as pesquisas apontam vantagem para o bloco que pretende tirar Netanyahu do poder.
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Israel vota pela primeira vez desde o início da guerra contra Gaza e dos confrontos contra o Irã e outros países vizinhos. Para Benjamin Netanyahu, que há quase 2 décadas dita os rumos da política israelense, esta pode ser a eleição mais difícil de sua carreira.

A oposição está praticamente empatada com Netanyahu nas pesquisas, e boa parte da sociedade continua esperando que alguém seja responsabilizado pelo que Israel viveu nos últimos anos.

Benjamin Netanyahu

Netanyahu, de 77 anos, quer um novo mandato à frente do Likud.

Ele venceu 6 eleições desde 1996, e o governo que formou em 2022 com os partidos religiosos e os ultradireitistas Bezalel Smotrich e Itamar Ben Gvir permitiu que, pela primeira vez em quase 4 décadas, o Knesset cumprisse integralmente seu mandato.

Ele chega às urnas com um processo por corrupção em andamento, no qual nega todas as acusações e afirma ser vítima de perseguição política.

Sua campanha gira em torno da segurança: ele publicou no X uma imagem gerada por inteligência artificial que mostrava um ataque nuclear contra Tel Aviv e alertou para o risco de um segundo Holocausto caso não seja reeleito.

Gadi Eisenkot

Seu principal adversário é Gadi Eisenkot, de 66 anos, que chefiou o Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel entre 2015 e 2019.

Ele entrou na política há 4 anos e integrou o gabinete de guerra de Netanyahu até renunciar. Seu filho morreu em Gaza.

Após romper com o ex-ministro da Defesa Benny Gantz, fundou o partido Yashar, pelo qual exige a criação de uma comissão estatal de investigação sobre as falhas levaram ao ataque do Hamas contra Israel.

Naftali Bennett

O terceiro candidato de maior peso é Naftali Bennett, de 54 anos.

Há 5 anos, ele pôs fim a 12 anos consecutivos de Netanyahu no poder ao formar uma coalizão que contou, pela primeira vez, com o apoio de um partido árabe, embora seu governo tenha durado apenas 1 ano.

De linha dura em matéria de segurança e contrário à criação de um Estado palestino, Bennett uniu forças em abril com Yair Lapid na lista Beyachad, que ele próprio lidera.

Pesquisas apontam vantagem da oposição

O bloco oposicionista também inclui o partido Democratas, de Yair Golan, à esquerda, e o Israel Beitenu, de Avigdor Liberman, ex-aliado de Netanyahu que se tornou um crítico declarado do primeiro-ministro.

Fora dos dois blocos estão a Lista Conjunta e o Raam, de Mansur Abbas.

Segundo o jornal The Times of Israel, as 3 pesquisas, realizadas pelos canais Kan 11, Canal 12 e Canal 13, dão ao bloco que pretende substituir Netanyahu uma vantagem de 2-6 cadeiras.

Com cerca de 7,3 milhões de israelenses aptos a votar, os resultados apontam para mais uma rodada de difíceis negociações para formar uma coalizão, podendo até haver novas eleições caso não se consiga estabelecer uma maioria governista.

Quem tem a chave do Parlamento?

Como nenhum dos blocos está perto de alcançar as 61 cadeiras necessárias para formar uma maioria, o futuro do Knesset pode depender de 2 pequenos partidos árabes.

A Lista Conjunta aparece com 9 cadeiras nas 3 principais pesquisas, enquanto o Raam, de Mansur Abbas, tem entre 5-7.

Separadamente, os 2 partidos têm peso limitado, mas, juntos, somam de 14 a 16 cadeiras, o suficiente para que a oposição ultrapasse a maioria.

Netanyahu transformou essa possibilidade no eixo central de sua campanha e repete que Eisenkot não conseguirá formar um governo sem o apoio dos árabes, embora tenha sido o próprio Netanyahu quem iniciou as primeiras conversas com Abbas.

Eisenkot não descarta essa possibilidade, o Raam está disposto a integrar uma coalizão e a Lista Conjunta oferece apoio externo em troca de medidas para combater a violência contra a violência contra os árabes israelenses, que no ano passado custou a vida de 252 cidadãos árabes.

Netanyahu conseguirá permanecer no poder?

Em declarações à RT, Yakov Rabkin, professor de História da Universidade de Montreal, no Canadá, destacou que as críticas ao primeiro-ministro estão aumentando na sociedade israelense.

"Suas perspectivas não são ruins, mas as constantes acusações graves contra ele, como as feitas por seu ex-secretário militar, prejudicam suas chances. A rejeição a ele continua forte entre os setores urbanos e escolarizados por causa de sua política interna", afirmou.

Por sua vez, Murad Sadygzade, presidente do Centro de Estudos do Oriente Médio, comentou à RT que as constantes ameaças já não convencem a sociedade israelense.

"De que guerra com o Irã estamos falando? Desde abril deste ano, não houve ataques do Irã contra Israel nem de Israel contra o Irã. Isso já era mais uma narrativa americana", disse Murad Sadygzade.

"Com tudo isso em segundo plano, há muitas questões de política externa e uma forte pressão da comunidade internacional sobre as autoridades israelenses, o que, de uma forma ou de outra, influencia a opinião pública. A situação econômica continua bastante difícil, vários problemas permanecem sem solução e ninguém foi responsabilizado pelo que aconteceu em 7 de outubro de 2023: por que aquele ataque foi permitido, para que serve a inteligência israelense? Enfim, há muitas questões internas a considerar", acrescentou.

O que acontecerá se Netanyahu deixar o poder?

Yakov Rabkin acredita que a saída de Netanyahu pouco mudaria o comportamento de Israel.

"Por isso, é difícil imaginar que surjam condições para a criação de um Estado palestino ou de um Estado com igualdade de direitos entre o rio Jordão e o mar. Enquanto o sionismo — isto é, a supremacia de um grupo da população consagrada em lei — continuar sendo a base do Estado, só o estilo da política externa poderá ser mudado, não sua essência", acrescentou.

"Praticamente todos os candidatos a primeiro-ministro já comandaram, em algum momento, represálias extremamente duras contra os palestinos e refletem plenamente o consenso da sociedade israelense, ou seja, o uso da violência para resolver a "questão palestina"", disse Yakov Rabkin.

Por sua vez, Murad Sadygzade considera que muitos países vizinhos de Israel, assim como os países europeus, querem que o Estado israelense seja liderado por alguém mais moderado, capaz de reduzir as tensões nas relações internacionais.

"Sem dúvida, alguém como Lapid, Gantz e outros adotaria uma postura mais moderada nas relações, por exemplo, com a Europa, e não exploraria tanto a questão iraniana. Mas, em termos gerais, todos concordam que o Irã representa uma ameaça e que o Catar também representa uma ameaça", afirmou.

"Em termos de doutrina, eles não diferem em nada; o que muda um pouco são os métodos. Enquanto uns pressionam mais e agem com maior dureza, outros estão mais dispostos a fazer concessões e procuram reduzir um pouco as tensões na política externa", concluiu.