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Netanyahu e chefe das Forças de Defesa de Israel entram em conflito por operação militar contra o Irã

Fontes ouvidas pelo Canal 12 israelense apontam que a ordem para realizar a ação militar teria objetivos eleitoreiros.
Netanyahu e chefe das Forças de Defesa de Israel entram em conflito por operação militar contra o IrãGettyimages.ru / Israeli Prime Minister's Office / IDF

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o chefe do Estado-Maior das Forças da Defesa de Israel (FDI), o tenente-general Eyal Zamir, entraram em conflito por causa de uma operação militar que poderia reacender o confronto com o Irã poucos dias antes das eleições parlamentares israelenses, informou o The Jerusalem Post, com base em informações do Canal 12 israelense.

De acordo com a reportagem, Zamir recebeu recentemente uma determinação do governo para realizar uma operação que, segundo autoridades de segurança, "desencadearia uma rápida escalada rumo a um confronto com o Irã".

Devido à natureza delicada da operação, Zamir solicitou uma discussão aprofundada e uma autorização formal antes de prosseguir.

Fontes disseram que Zamir e outros comandantes das FDI consideram que o governo poderia tentar usar o conflito com o Irã para obter vantagens eleitorais antes das eleições.

Netanyahu negou a informação, afirmando que "não há confronto" e que "alguém está tentando esconder o fato de que o próprio Zamir disse que o Irã estava tentando interferir nas eleições".

O jornal israelense observa que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Zamir atuaram, em diferentes momentos do período eleitoral, como fatores de contenção diante da postura de Netanyahu em relação à possibilidade de um novo conflito com o Irã.

Oposição critica possíveis interesses políticos na operação

Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar, apoiou a cautela de Zamir e advertiu Netanyahu contra a possibilidade de colocar seus interesses políticos acima dos interesses do Estado.

Já Yair Golan, líder do Partido Democrata, manifestou apoio a Zamir por "manter-se firme em seu dever profissional" e escreveu na rede social X que "é proibido permitir qualquer ação militar que não tenha uma necessidade clara de segurança, um objetivo estratégico e um plano de ação responsável".

  • As eleições de 27 de outubro são parlamentares e definirão a composição dos 120 assentos do Knesset, o Parlamento israelense. De acordo com a pesquisa final do Zman Yisrael, o bloco de direita liderado por Benjamin Netanyahu e o bloco sionista de oposição, encabeçado por Gadi Eisenkot, ficariam empatados, ambos abaixo dos 61 assentos necessários para formar uma coalizão majoritária.
  • O resultado é especialmente importante para Netanyahu, que se tornou o primeiro chefe de governo israelense a ser processado enquanto ainda ocupava o cargo. Ele responde a acusações de fraude, abuso de confiança e suborno, e seu julgamento, iniciado em maio de 2020, foi adiado repetidas vezes em razão dos conflitos na Faixa de Gaza e no Líbano. Netanyahu nega todas as acusações e afirma que são falsas e fazem parte de um golpe político.