
Eleições: estrategista de ministro de Israel que defendeu matar até distribuidores de doces em Gaza atua no Brasil

O estrategista israelense Nevo Cohen, que trabalhou com o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, desde sua campanha eleitoral, afirmou que sua participação em uma campanha política no Brasil "não é segredo".
Um levantamento publicado pelo projeto independente Panamerican Dispatch na quinta-feira (15) identificou ao menos três ocasiões em que Cohen mencionou publicamente sua atuação em campanhas eleitorais no Brasil.
Em 17 de junho, Cohen afirmou, em uma publicação nas redes sociais, que havia voltado "de uma campanha eleitoral no Brasil", descrevendo a disputa como "bem tranquila", com "ataques e reações previsíveis".

Em participação em um podcast em 7 de julho, o estrategista declarou: "Não é mais segredo que estou trabalhando em uma campanha no Brasil". Durante a conversa, acrescentou que a eliminação precoce da seleção brasileira na Copa do Mundo havia "atrapalhado" alguns dos planos preparados por sua equipe.
Dez dias depois, em outro podcast, Cohen afirmou que estava ao telefone com alguém no exterior. Quando um dos participantes sugeriu que a pessoa estava no Brasil, o estrategista não contestou a afirmação. Em nenhuma das três ocasiões, porém, ele identificou a campanha ou o partido político para o qual trabalha.
O autor do levantamento destaca que ele próprio é judeu, "antes que alguém tente descartar esta investigação como uma teoria conspiratória antissemita", e afirma que seu trabalho tem como único objetivo mapear as atividades concretas de um estrategista político ligado à extrema-direita israelense. Segundo ele, Cohen foi contatado, mas não respondeu às tentativas de contato.
"Um povo inventado"
O trabalho com Ben-Gvir é possivelmente o mais emblemático da trajetória de Cohen. O ministro é conhecido por declarações controversas, como a que fez em uma entrevista em novembro de 2023, ao defender a eliminação "não só do Hamas e daqueles associados [ao movimento palestino], mas também dos distribuidores de doces" e de outros civis que "cantam ou apoiam" suas ações.
Em outubro do mesmo ano, Ben-Gvir escreveu em uma rede social que "a única coisa que deveria entrar em Gaza são centenas de toneladas de explosivos da Força Aérea, e não um grama de ajuda humanitária". O ministro também negou a existência de uma identidade nacional palestina ao afirmar que os palestinos são "um povo inventado" e se referiu aos palestinos detidos por forças israelenses como "escória".
Mais recentemente, o político defendeu um plano controverso de usar crocodilos em prisões de palestinos. "Quero que eles sintam medo. É assim que deve ser. É isso que significa governar", afirmou na ocasião.

