
Educação no 2º turno: Flávio aposta em escola cívico-militar; Lula em tempo integral e Pé-de-Meia

O debate sobre educação recebeu menos destaque nesta eleição presidencial por causa do cenário político e do escândalo do caso Master. Mesmo assim, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) tratam a área como prioridade, mas com visões opostas, informou a Agência Brasil nesta quinta-feira (15).

Lula vê a educação como instrumento de transformação e mobilidade social, enquanto Flávio a associa ao fortalecimento das famílias e à preparação para o mercado de trabalho.
A diferença aparece já no modelo de escola. Flávio defende a expansão das escolas cívico-militares, adotadas pelo governo de seu pai, Jair Bolsonaro, como forma de unir disciplina e bom desempenho, e quer uma "escola que ensina, e não que doutrina" — embora também apoie o tempo integral, para que a criança não "fique entregue à própria sorte no contraturno".
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Já Lula coloca a ampliação do tempo integral em todas as etapas da educação básica como prioridade, com jornada de ao menos sete horas diárias, querendo aumentar o percentual de matrículas em tempo integral, que hoje é de 25,8%.
Educação infantil: voucher contra creches
Na educação infantil, Flávio quer priorizar o método fônico de alfabetização (que ensina a ler associando sons às letras) e oferecer voucher-creche para famílias sem vaga na rede pública — sem detalhar a origem dos recursos.
Lula pretende dar continuidade à construção de 3.562 creches e pré-escolas em 2.360 municípios via Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), e alfabetizar 80% das crianças na idade certa até 2030.
Ensino médio e técnico: Pé-de-Meia contra parceria com empresas
No ensino médio e técnico, Flávio propõe ampliar cursos técnicos em parceria com indústrias e empresas, com bolsas financiadas pelo setor produtivo, para que o jovem saia da escola com habilidades exigidas pelo mercado.
Lula quer aprimorar o Pé-de-Meia, programa de incentivo financeiro-educacional a alunos do ensino médio beneficiários do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), que já atendeu 7,3 milhões de estudantes. Em seu programa, o atual presidente propõe criar 111 novas unidades dos Institutos Federais (IF), abrangindo 106 municípios.
Ensino superior: MCTI contra novos campi e hospitais universitários
No ensino superior, Flávio defende transferir a gestão do ensino superior do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e adotar o Empréstimo Contingente à Renda, com pagamento após a entrada no mercado de trabalho.
Lula quer investir na infraestrutura das universidades e avançar na implantação de novos projetos, como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no Ceará, a Universidade Indígena (Unind) e a Universidade Federal do Esporte (UFEsporte), e ampliar hospitais universitários em articulação com o Sistema Único de Saúde (SUS).

