Perda de foro e dois inquéritos criminais: entenda a situação de Flávio após derrota nas urnas

Investigado por lavagem de dinheiro e corrupção, senador teve passaportes apreendidos por ordem de Moraes e deixará de ter foro privilegiado em fevereiro.

O senador Flávio Bolsonaro passará a lidar com o fim do foro privilegiado, após o término do mandato de senador, e com dois inquéritos criminais no Supremo Tribunal Federal (STF).

Um dia após o segundo turno da eleição presidencial, a Polícia Federal intimou o senador a entregar os passaportes, e ele está proibido de deixar o Brasil por determinação do ministro Alexandre de Moraes. Caso tivesse sido eleito presidente, Flávio teria imunidade temporária para fatos anteriores ao mandato. Com a derrota, a regra não se aplica.

Flávio ficará sem mandato a partir de fevereiro de 2027, pela primeira vez em 24 anos de carreira política. Ele perde o foro por prerrogativa de função, mas o STF pode manter a competência sobre investigações de crimes ligados ao período no cargo, conforme decisão da Corte de março de 2025.

Investigação sobre o Banco Master

O primeiro inquérito apura um pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio e o banqueiro são investigados por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Mensagens obtidas pela imprensa mostram que o senador negociou diretamente o repasse de pelo menos US$ 24 milhões para a produção. Ele nega irregularidades e afirma que o filme usou apenas recursos privados.

Caso de Willer Tomaz

O segundo caso, sob relatoria de Moraes, investiga a relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz, amigo próximo, por suspeita de lavagem de dinheiro.

O celular de Willer foi apreendido na Operação Sem Desconto, e a perícia encontrou movimentações suspeitas, referências a encontros entre os dois e documentos pessoais do senador no iCloud do advogado.

A PF aponta ainda que Flávio teria acesso de "usuário master" a uma conta bancária de uma holding de Willer, a Alcazar, o que ele nega.

A defesa do advogado diz que as empresas são lícitas e que a relação entre eles é apenas de amizade.