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'Dark Horse': tudo o que se sabe sobre o escândalo que envolve Flávio, Eduardo e Vorcaro

Filme sobre Jair Bolsonaro é alvo de duas frentes de investigação que apuram financiamento privado, possível uso de emendas parlamentares e movimentações de milhões de dólares.
'Dark Horse': tudo o que se sabe sobre o escândalo que envolve Flávio, Eduardo e VorcaroGettyimages.ru / Andressa Anholete/Allison Sales/NurPhoto/Reprodução

O filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro, está no centro de duas investigações da Polícia Federal (PF) que apuram a origem suspeita de recursos usados na produção e possíveis desvios de dinheiro público.

Nesta sexta-feira (11), após a queda de sigilo de investigações determinada pelos ministros André Mendonça e Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), novos fatos vieram à tona.

As apurações, conduzidas em inquéritos sob relatoria dos ministros André Mendonça e Flávio Dino, chegaram a integrantes da família Bolsonaro e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Ponto a ponto

  • Flávio Bolsonaro: segundo a PF, era "interlocutor direto" de Daniel Vorcaro nas negociações para financiar o filme. Mensagens mostram cobranças de pagamentos e acompanhamento das gravações.
  • Eduardo Bolsonaro: teria orientado a gestão orçamentária da produção nos Estados Unidos.
  • Daniel Vorcaro: teria negociado com Flávio aportes que chegaram a R$ 130 milhões. Cerca de R$ 61 milhões teriam sido pagos.
  • Havengate: fundo administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado a Eduardo, recebeu recursos enviados pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como "Mineiro" e apontado como operador de Vorcaro.
  • US$ 12,3 milhões: esse foi o valor que, segundo a delação de "Mineiro", chegou ao Havengate em sete transferências destinadas ao financiamento do filme.
  • Emendas parlamentares: outra investigação apura se recursos públicos destinados a entidades ligadas à produtora foram desviados para a produção do longa.
  • Mário Frias: deputado do PL de São Paulo e produtor-executivo do filme, foi um dos alvos da operação da PF que cumpriu 49 mandados de busca e apreensão.
  • Go Up Entertainment: produtora de "Dark Horse", recebeu recursos de entidades beneficiadas por emendas parlamentares. A PF investiga se parte do dinheiro público chegou ao filme por meio de empresas intermediárias.
  • Estreia do filme: a Europa Filmes adiou a definição de uma nova data para o lançamento enquanto aguarda o avanço das investigações.

O papel de Flávio Bolsonaro

Mensagens encontradas no celular de Vorcaro mostram uma relação direta com Flávio. Em dezembro de 2024, os dois marcaram uma reunião para tratar do "filme do presidente". Em setembro de 2025, Flávio cobrou pagamentos e demonstrou preocupação com possíveis atrasos para o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.

Em outubro, informou que as gravações estavam no terceiro dia e "no limite", pedindo que Vorcaro avisasse caso não pudesse realizar novo aporte. Pouco antes da prisão do banqueiro, em novembro, Flávio escreveu: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!"

O dinheiro e o fundo nos EUA

O Havengate foi criado em 2020 com a finalidade declarada de levantar recursos para um empreendimento imobiliário de aproximadamente US$ 21 milhões. Segundo informações incorporadas ao relatório da PF, porém, nenhuma atividade correspondente foi encontrada no endereço de registro do fundo.

O fundo permaneceu inativo por anos até receber, em fevereiro de 2025, seu primeiro aporte da Entre Investimentos, empresa de "Mineiro". Ao longo daquele ano, os repasses chegaram a US$ 24 milhões, segundo a investigação, e cessaram após a prisão de Vorcaro.

Emendas

A segunda frente da investigação apura suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares destinadas a organizações da sociedade civil. A PF cumpriu mandados contra Mário Frias e a empresária Karina Gama, ligada à Go Up Entertainment.

A investigação aponta movimentações consideradas atípicas durante o período das gravações e suspeita que recursos públicos tenham passado por empresas intermediárias antes de chegar à produtora.