
Inquérito é aberto no STF para investigar suposta lavagem de dinheiro de Flávio Bolsonaro

Uma investigação, iniciada na primeira instância da Justiça federal do Rio Grande do Sul para apurar supostos crimes de lavagem de dinheiro e evasão fiscal utilizando casas de apostas envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, foi repassada ao Supremo Tribunal Federal por conta do foro privilegiado do senador. O relator do inquérito, escolhido por sorteio, será o ministro Alexandre de Moraes, segundo informou o g1 no domingo (18).

Ao quebrar o sigilo telefônico do advogado, a divisão da Polícia Federal (PF) gaúcha teve acesso a a mensagens de correio eletrônico que que dão conta de que Flávio tinha um cadastro de "usuário master" de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa da qual Tomaz é dono, o que indica que o senador estaria envolvido em esquemas que envolvem casa de apostas no Rio de Janeiro com as quais o advogado teria vínculos.
"Na documentação relativa à abertura da conta bancária da empresa Alcazar Holding, verificou-se que Flávio Bolsonaro figurava com perfil de usuário master, condição que, em princípio, lhe conferia nível elevado de acesso e gerenciamento da conta", lê-se no relatório da PF, que ainda acrescenta: "foram identificados diversos elementos que evidenciam uma relação de proximidade entre Willer e Flávio Bolsonaro".
Para a polícia, há indícios de que a operadora de jogos RioPag seria de propriedade de Tomaz embora ele não figure oficialmente no quadro societário da empresa. Movimentações de grande valor do advogado na casa de apostas Blaze também estão sendo apuradas: "O endereço vinculado à Foggo Entertainment Ltda, CNPJ representativo da Blaze, para a qual o investigado transferiu valores vultosos, já teria sido utilizado anteriormente por outras empresas ligadas a um ex-sócio seu e pela própria RioPag", afirma o relatório da PF.
Willer Tomaz teria solicitado a exclusão do acesso de Flávio à conta de "usuário master" em um e-mail datado de 22 de maio de 2025, o que indica que o senador permaneceu vinculado à instituição pelo menos até aquela data. A PF também encontrou indícios de que outra empresa no nome do advogado, a Cathedral, teria custeado viagens do senador.
Com a abertura deste inquérito, este já é o segundo processo que corre na Suprema Corte em que Flávio Bolsonaro figura entre os investigados, sendo o primeiro sobre o financiamento do filme Dark Horse pelo ex-banqueiro e dono do extinto Banco Master, Daniel Vorcaro.
A defesa de Tomaz nega ter cometido qualquer irregularidade e diz estranhar que tenha havido tal "vazamento" oportunamente a poucas horas antes do debate para o segundo turno das eleições presidenciais começarem.
Flávio Bolsonaro reconhece que existe uma relação de amizade entre a sua família e a de Tomaz, mas que jamais teve uma conta de usuário master em nenhuma conta dos empreendimentos do advogado e que qualquer insinuação da existência de irregularidades é uma "mera ilação" com o objetivo de espalhar notícias falsas em período eleitoral.

