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'O Brasil fará parte do Escudo das Américas', afirma Flávio Bolsonaro

Durante sabatina da TV Globo, o candidato à Presidência afirmou que, caso eleito, irá declarar "guerra ao tráfico de drogas".
'O Brasil fará parte do Escudo das Américas', afirma Flávio BolsonaroAP / Eraldo Peres

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (16) que, caso seja eleito, o Brasil irá aderir ao "Escudo das Américas", iniciativa do governo dos Estados Unidos para combater o que classifica como "narcoterrorismo" no continente.

"O Brasil vai fazer parte do Escudo das Américas, para ter intercâmbio de informação e inteligência, para a gente combater o terrorismo aqui na Tríplice Fronteira, na região de Foz do Iguaçu (PR)", declarou, durante sabatina da TV Globo.

O senador defendeu que irá "declarar guerra ao narcotráfico aqui no Brasil a partir de janeiro do ano que vem". "Eu voudeclarar Comando Vermelho, PCC e milícias como organizações narcoterroristas", acrescentou.

Flávio ressaltou o papel das Forças Armadas para o combate do tráfico internacional e o resgate da "soberania". Como exemplos, propôs a intensificação da atuação da Aeronáutica e do Exército na Amazônia e na fronteira com a Bolívia, além da criação de uma tropa de elite da Marinha no Porto de Santos (SP).

Escudo das Américas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em março a formação do Estudo das Américas, uma coalizão militar para "erradicar os cartéis" no hemisfério ocidental.  Atualmente, a iniciativa reúne 15 países do continente, entre eles Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru.

Em setembro, os integrantes da coalizão anunciaram uma ação conjunta contra 24 organizações classificadas como "narcoterroristas transnacionais", incluindo as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

Ameaça de "cerco"

O assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, Celso Amorim,já criticou publicamente a aliança. Segundo ele, a iniciativa norte-americana coloca o Brasil sob ameaça de um "cerco" baseado na classificação do crime organizado como terrorismo internacional.

"Agora sim nós sofremos uma ameaça, porque, veja bem, essa questão do Escudo das Américas põe o Brasil em um cerco com base em um argumento falso, que é tratar a questão do crime organizado como se fosse terrorismo internacional", declarou Amorim em entrevista no último sábado (10).