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Escudo das Américas coloca Brasil sob ameaça de 'cerco', diz Celso Amorim

Assessor de Lula acusa iniciativa de Trump de usar combate ao crime organizado como pretexto para ampliar domínio dos EUA na região.
Escudo das Américas coloca Brasil sob ameaça de 'cerco', diz Celso AmorimLegion-media.ru / TheNews2

O assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou no sábado (10) em entrevista ao canal Tutaméia TV que o Escudo das Américas, iniciativa do governo de Donald Trump, coloca o Brasil sob ameaça de um "cerco" baseado na classificação do crime organizado como terrorismo internacional.

"Agora sim nós sofremos uma ameaça, porque, veja bem, essa questão do Escudo das Américas põe o Brasil em um cerco com base em um argumento falso, que é tratar a questão do crime organizado como se fosse terrorismo internacional", declarou Amorim em entrevista.

Amorim também classificou a iniciativa norte-americana como um "esquema de dominação absoluta" e afirmou que "o problema deles é a China".

Ao comparar a situação atual com as relações entre Brasil e Estados Unidos durante os governos de George W. Bush (2001–2009) e Barack Obama (2009–2017), o assessor de Lula afirmou que, naquele período, "havia um certo respeito".

Ele reconheceu a possibilidade de interferências anteriores, mas ressaltou que "não houve uma intervenção ameaçadora" como a que, em sua avaliação, o Brasil enfrenta atualmente.

Escudo das Américas

Criado pelo governo de Donald Trump, o Escudo das Américas reúne 15 países com o objetivo declarado de combater o narcotráfico e o crime organizado no continente.

Em setembro, os integrantes da coalizão anunciaram uma ação conjunta contra 24 organizações classificadas como "narcoterroristas transnacionais", incluindo as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

Além dos Estados Unidos,participam da iniciativa Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.

Na quarta-feira (7), o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, declarou que pretende incluir o Brasil na coalizão caso seja eleito no segundo turno.

"Vou, com muita vontade e com muita honra, querer fazer parte do Escudo das Américas para cooperar com a Colômbia e com todos os demais países que se unirem para combater essas facções narcoterroristas", afirmou durante uma transmissão ao vivo com o presidente colombiano, Abelardo de la Espriella.