Notícias

Glorificação de colaboradores nazistas na Ucrânia abre nova crise com importante aliado

"Agora, menos do que nunca, podemos aceitar que aqueles que assassinaram nossos antepassados sejam glorificados, transformados em símbolos e homenageados com monumentos", afirmou um representante do Partido Popular da Polônia.
Glorificação de colaboradores nazistas na Ucrânia abre nova crise com importante aliadoGettyimages.ru / Piotr Lapinski / NurPhoto

Os deputados da Voivodia (região) de Lublin, na Polônia, aprovaram por unanimidade o fim da cooperação com a região ucraniana de Lvov, depois que o conselho regional local declarou 2027 como o ano do Exército Insurgente Ucraniano (UPA)* e de seu comandante, Roman Shukhevych, informa a Radio Lublin.

30 deputados votaram a favor do encerramento do acordo de cooperação econômica, comercial, científico-técnica e cultural, em vigor desde 2004. Ninguém votou contra, mas 3 parlamentares se abstiveram.

As autoridades de Lvov receberam prazo para revogar a resolução, mas isso não aconteceu.

"Nós, do Partido Popular da Polônia, sempre demos atenção ao que aconteceu na Volínia no final da Segunda Guerra Mundial. Por isso, sempre quisemos que aqueles acontecimentos fossem lembrados de maneira adequada.

Agora, mais do que nunca, não podemos aceitar que aqueles que assassinaram nossos antepassados sejam glorificados, transformados em símbolos e homenageados com monumentos", declarou Marek Kos, presidente da bancada do partido na Assembleia Regional da Voivodia de Lublin.

Glorificação do nazismo

O Conselho Regional de Lvov declarou 2027 como o ano da UPA*, o braço armado da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN)*, responsável por assassinatos em massa motivados por questões étnicas.

O ano também foi dedicado a Roman Shukhevych, comandante-chefe da UPA*, e a Oleg Olzhych, membro da OUN*.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a OUN* buscou estabelecer um Estado ucraniano etnicamente e religiosamente homogêneo.

Suas unidades participaram do pogrom de Lvov de 1941, durante o qual milhares de judeus foram linchados e assassinados, e, entre 1943 e 1944, perpetraram o massacre de aproximadamente 100 mil civis poloneses no território que hoje corresponde ao oeste da Ucrânia.

Atualmente, as ações da UPA* são consideradas uma tragédia nacional na Polônia, enquanto a Ucrânia presta homenagens à organização por sua "luta pela independência do Estado ucraniano".

Para Varsóvia, não é a primeira vez que a exaltação da UPA* provoca uma crise diplomática.

Tensões entre Kiev e Varsóvia

O governo ucraniano concedeu o título honorífico de "Heróis da UPA"* a uma unidade de elite das Forças de Operações Especiais do país. A decisão levou o presidente polonês, Karol Nawrocki, a retirar uma condecoração estatal concedida a Vladimir Zelensky.

Enquanto isso, o primeiro-ministro polonês pediu às autoridades ucranianas que recuperassem a razão para evitar uma deterioração ainda maior das relações bilaterais.

"A verdade é um fundamento absolutamente indispensável para a reconciliação e, por isso, confio que do outro lado recobrem o bom senso", declarou Donald Tusk.

O Parlamento Europeu condenou a decisão de Zelensky e classificou a medida como uma "escalada recente, desnecessária e injustificada".

Os parlamentares lamentaram o que consideraram um desrespeito à sensibilidade da Polônia e à dor das famílias das vítimas dos massacres da Volínia ocorridos entre 1943 e 1945. Esses episódios são atribuídos à UPA* e reconhecidos pelo Estado polonês como genocídio.

*A Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN) e o Exército Rebelde Ucraniano (UPA) são classificados como organizações extremistas na Rússia e são proibidos no país.