Os violentos distúrbios do último fim de semana parecem ter influenciado o cenário político da França, a seis meses das eleições presidenciais.
A candidata do partido de direita Reagrupamento Nacional, Marine Le Pen, seria uma das principais beneficiárias desses acontecimentos, que colocaram em xeque a gestão do atual governo — duramente criticado pela opositora.
Segundo uma pesquisa do instituto Ifop-Fiducial, realizada entre a noite de 17 de outubro e o dia 19 de outubro, Le Pen obteria entre 36% e 38% dos votos no primeiro turno, cerca de 20 pontos percentuais à frente de seus rivais.
Em um eventual segundo turno, ela venceria todos os seus possíveis oponentes, com 56% dos votos contra o ex-primeiro-ministro e candidato do partido de centro-direita Horizons, Edouard Philippe; 58% contra o ex-primeiro-ministro Gabriel Attal, do partido macronista Renascimento; 57% contra o eurodeputado social-democrata Raphael Glucksmann; 59% contra o ex-presidente socialista François Hollande; e 68% contra o líder do partido de esquerda radical França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon.
Os protestos contra o aumento do custo de vida resultaram, em distúrbios em várias cidades da França. Os manifestantes ergueram barricadas, incendiaram veículos e prédios públicos e saquearam estabelecimentos comerciais — incidentes que deixaram cerca de 2.700 detidos, pelo menos 3 mil estabelecimentos afetados e perto de 1 mil agentes feridos.
Os episódios suscitaram críticas à gestão do governo e à atuação das forças de segurança, ao passo que o próprio ministro do Interior, Laurent Nuñez, reconheceu uma "perda de controle" policial em algumas áreas.