Os protestos de caminhoneiros e agricultores contra a alta dos preços dos combustíveis estão provocando falta de produtos nos supermercados devido aos bloqueios nas principais rodovias do sul da Itália, informou a imprensa local Rai News na terça-feira (20).
O que começou na semana passada nas regiões da Puglia e da Calábria se espalhou pela Sicília, Campânia e Basilicata, afetando o abastecimento de alimentos frescos, combustíveis e outros produtos essenciais, segundo o jornal italiano Il Manifesto, em reportagem publicada na segunda-feira (19).
Os manifestantes exigem medidas concretas do governo diante da alta do diesel, que já ultrapassou 2,30 euros por litro após o fim de uma redução de impostos, em 6 de outubro.
O ministro da Infraestrutura e dos Transportes, Matteo Salvini, reuniu-se na terça-feira (20) com representantes do setor em Milão, antecipando um encontro que estava previsto para 27 de outubro.
"Estamos trabalhando ao máximo para dar respostas concretas ainda hoje. Os 430 milhões [de euros] que já estão previstos no orçamento estão disponíveis", declarou à emissora RTL 102.5.
Ele também prometeu a liberação imediata dos recursos já destinados ao setor. Ao mesmo tempo, anunciou a possibilidade de liberar "recursos adicionais" para o chamado Marebonus (incentivo estatal italiano que subsidia o transporte de mercadorias por via marítima em vez da rodoviária, para reduzir o tráfego e a poluição).
O caos se espalha pela Itália
Na Sicília, caminhões permanecem parados em portos e áreas de estacionamento de empresas. O Comitê de Transporte Siciliano esclareceu que seu protesto se limita a não retirar os semirreboques dos navios (carretas sem a parte dianteira, transportadas separadamente por caminhões-tratores) e negou estar promovendo bloqueios nas estradas.
A organização declarou que "não realiza nem apoiará, de forma alguma, bloqueios de rodovias ou piquetes destinados a impedir a circulação daqueles que optam por trabalhar". O comitê condiciona o fim da paralisação à assinatura de compromissos por escrito por parte de Salvin, informou a ANSA na terça-feira (20).
Na Puglia, os bloqueios já duram uma semana e provocaram falta de alimentos frescos em cidades como Cerignola, San Severo e Lucera, além de escassez de combustível em postos de abastecimento de Bari.
Na Campânia, manifestantes fecharam temporariamente acessos a rodovias em Nola e Nocera-Pagani, enquanto, na Calábria, as ações se concentram no porto de Gioia Tauro e no aeroporto de Lamezia Terme.