PF realiza operação contra ex-servidor do STJ por vazar dados a advogado amigo de Flávio Bolsonaro

O advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, teria obtido acesso a informações de processos em curso no STJ com a ajuda de Humberto Pradera, ex-secretário de TI do tribunal, que teria violado o sigilo funcional.

A Polícia Federal (PF) realiza nesta segunda-feira (19) buscas contra Humberto Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A informação foi publicada pelo jornal O Globo.

A medida foi adotada no âmbito de uma investigação do Supremo Tribunal Federal (STF) que também envolve o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz. 

Em 16 de outubro, Pradera foi exonerado do STJ. O presidente do tribunal, Luis Felipe Salomão, já havia ordenado a abertura de apuração interna sobre as suspeitas que envolvem o servidor.  O STJ explicou que Pradera foi exonerado por ocupar um cargo de confiança e não ser servidor concursado. 

Pormenores da investigação

De acordo com as apurações, mensagens apontam que informações sobre processos em andamento no STJ teriam sido repassadas a Willer.

Os investigadores identificaram que, em mensagens, Pradera contou a Willer que duas pessoas haviam sido designadas para tratar de determinado assunto e afirmou que manteria o advogado informado.

Outro episódio aponta que Pradera encaminhou uma fotografia de um documento exibido na tela de um computador, com um carimbo sobre a mesa.

A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o escritório de Willer Tomaz tinha acesso antecipado a minutas de decisões do STJ e a pareceres do Ministério Público Federal (MPF).

Em alguns casos, o escritório teria recebido antes informações sobre o resultado de julgamentos e, com base nisso, alterado sua estratégia processual.

O advogado Willer Tomaz nega categoricamente qualquer acesso irregular a decisões judiciais ou qualquer interferência em manifestações do MPF. O advogado afirma que as insinuações feitas contra ele são "falsas" e que desconhece o relatório citado da PF. 

O advogado argumenta ainda que o conhecimento antecipado de julgados não é crime, mas sim uma "funcionalidade prevista no próprio sistema da Corte".