O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou nesta segunda-feira (19) o início de "uma operação judicial massiva" em meio a protestos que varrem o país.
"O povo francês precisa entender como os distúrbios foram organizados de uma forma completamente inédita: durante o dia pela extrema esquerda e à noite por criminosos comuns", afirmou ele ao sair da reunião do gabinete interministerial de crise.
Ele pediu "uma resposta penal enérgica aos atos violentos" que, neste fim de semana, culminaram em saques em diversos bairros de Paris e até mesmo no sequestro de uma viatura da polícia municipal.
"Esquizofrenia muito francesa"
O primeiro-ministro alertou que "a polícia não pode ser usada como ferramenta política no debate em torno destas eleições presidenciais" e lamentou as críticas contraditórias dirigidas aos agentes.
"Durante três semanas, disseram-nos que a polícia mata e fere, e nos últimos dois dias perguntaram-nos: 'O que é que a polícia está a fazer?' É uma esquizofrenia muito francesa", declarou o primeiro-ministro.
Ele defendeu as ações da polícia durante os tumultos do fim de semana.
"No sábado, embora tenhamos presenciado cenas muito difíceis, não houve mortes, e isso é um milagre. Devemos repetir isso", enfatizou Lecornu, destacando que isso demonstra que "as forças de segurança fazem seu trabalho em um contexto muito difícil e sob uma doutrina bem estabelecida".
Já o Ministro do Interior, Laurent Nuñez — que teve um pedido derenúncia rejeitado pelo presidente Emmanuel Macron —, anunciou que no próximo fim de semana "o efetivo policial e da gendarmaria será reforçado", enquanto medidas para conter tumultos e saques serão implementadas "a partir desta noite", a pedido do presidente.