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Moscou explica como consumidores europeus pagam pela rejeição aos recursos energéticos russos

O vice-primeiro-ministro da Rússia, Alexander Novak, indicou que os preços do gás quadruplicaram nos últimos anos, obrigando os europeus a fechar fábricas e transferir a produção para locais com fontes de energia mais baratas.
Moscou explica como consumidores europeus pagam pela rejeição aos recursos energéticos russosGettyimages.ru

Enquanto Bruxelas rejeita os recursos energéticos russos, os preços do gás quadruplicaram nos últimos anos e o consumidor europeu é quem paga as consequências, declarou o vice-primeiro-ministro da Rússia, Alexander Novak, em uma entrevista ao canal Vesti, publicada no sábado (17).

A autoridade ressaltou que os países europeus "influenciam o mercado e criam desequilíbrios por meio de suas decisões políticas", como a proibição do fornecimento de petróleo e derivados russos à UE ou as tentativas de abandonar o gás russo — mesmo diante da escassez de gás no bloco e dos níveis de reservas mais baixos da história.

Novak indicou que "os preços do gás disparam, chegando a atingir praticamente 1.000 dólares por 1.000 metros cúbicos". Nesse contexto, lembrou que, "há 10 anos, mesmo antes da pandemia, os preços do gás costumavam girar em torno de 200 a 250 dólares". "Ou seja, agora o preço é quatro vezes maior", enfatizou.

"E os consumidores estão pagando as consequências. As economias europeias estão pagando as consequências", ressaltou, acrescentando que "fábricas estão sendo fechadas e a produção está sendo transferida para locais com fontes de energia mais baratas".

O inesperado romance do 'coração' da Europa com o gás russo

A Rússia percebe o interesse dos consumidores europeus
No entanto, a autoridade indicou que a Rússia agora percebe o interesse dos consumidores europeus nos recursos energéticos russos.

"Temos visto, recentemente, que cada vez mais políticos e países reconhecem que se equivocaram ao rejeitar o gás, o petróleo e os produtos derivados do petróleo russos. Ou, no caso dos países para os quais haviam sido abertas exceções, solicitam que elas sejam prorrogadas", disse.

Assim, lembrou que os grandes projetos entre a Europa e a Rússia tiveram início nas décadas de 1960 e 1970 e "eram de interesse mútuo".

"Hoje, esse equilíbrio foi rompido e redirecionamos nossos recursos energéticos para a região da Ásia-Pacífico. Isso, em essência, tornou as coisas um pouco mais caras para nós, já que os custos de transporte aumentaram. Mas não perdemos volume. Os europeus, por outro lado, perderam volume e, agora, a situação ficou quatro vezes mais cara para eles", explicou.

Crise energética

Tanto a decisão da União Europeia de romper, de modo geral, com o fornecimento de hidrocarbonetos russos baratos quanto a impossibilidade de receber gás diretamente pelo gasoduto Nord Stream, explodido em 2022, provocaram uma crise energética no bloco europeu, sobretudo na Alemanha.

A recente escalada das tensões no Oriente Médio fez disparar os preços do petróleo e do gás. Como resultado, a Europa enfrenta custos de energia ainda mais elevados, pressão sobre as famílias e as empresas, fechamento de unidades industriais, demissões e uma economia cada vez mais fragilizada.

Um dos setores mais afetados foi a indústria automobilística alemã, que atravessa uma das crises mais profundas das últimas décadas.

A fabricação de automóveis exige enormes quantidades de energia, especialmente na produção de aço, alumínio, produtos químicos e baterias.

Como consequência, o encarecimento da energia repercutiu em toda a cadeia de suprimentos, elevando o custo final dos veículos e reduzindo as margens de lucro das montadoras.

Nesse contexto, diversas marcas conhecidas do setor automotivo, entre elas BMW, Porsche e Volkswagen, realizaram amplos cortes de pessoal.