Interferência estrangeira nas eleições? Meta pode se tornar alvo de ação após pedidos ao MPF e ANPD

Ministério da Justiça aponta falta de transparência em bloqueios e remoções de conteúdo e sugere medidas judiciais contra a controladora do Instagram, Facebook e WhatsApp.

A Meta* pode enfrentar medidas judiciais no Brasil por supostas falhas de transparência na moderação de conteúdo. O Ministério da Justiça encaminhou documentos ao Ministério Público Federal (MPF) e à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) com recomendações para apurar a conduta do conglomerado, informou o portal UOL neste sábado (17).

Segundo a reportagem, a pasta sugere que o MPF avalie entrar com uma ação civil pública contra a empresa por bloqueios de contas, remoções de publicações e restrições de alcance sem explicações claras aos usuários.

Entre as medidas propostas pelo ministério estão o restabelecimento de perfis e conteúdos restringidos sem justificativa adequada, mudanças nos procedimentos de moderação e a aplicação de multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento. 

Interferência eleitoral?

A iniciativa ocorre em meio a denúncias de restrições a conteúdos políticos durante a campanha presidencial de 2026, às vésperas do segundo turno. A gigante norte-americana atribui os problemas relatados a falhas técnicas e nega favorecimento político, apesar de, em mensagens internas, seus funcionários reconhecerem que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição foi prejudicada.

Segundo Nadia Beller, ex-companheira de Fernando Cerimedo, estrategista político de direita com atuação em diversos países da América Latina, representantes da Meta*, Cerimedo e um dos filhos de Jair Bolsonaro já estiveram reunidos em um encontro de caráter sigiloso. O filho não foi identificado, mas há suspeitas de que seja Eduardo Bolsonaro.

De acordo com Beller, as três partes discutiram como interferir na eleição persidencial brasileira. Cerimedo "me disse pelo menos três vezes que tinha ótimos contatos na Meta* e que conseguia derrubar ou restaurar qualquer página", garantiu a ex-companheira.

*Classificada na Rússia como uma organização extremista, cujas redes sociais são proibidas em seu território.