A União Europeia não dispõe de alternativas imediatas para substituir o sistema de comunicação e navegação por satélite Starlink dos EUA, admitiu a Alta Representante do bloco para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, na sexta-feira (16) ao chegar à cúpula de líderes europeus em Bruxelas.
"O Starlink é realmente necessário para a Ucrânia e, infelizmente, a curto prazo, a Europa não pode substituir esta capacidade", afirmou.
Kallas respondeu desta forma quando questionada sobre o que Bruxelas poderia fazer para substituir a rede, cuja operação foi recentemente restrita às Forças Armadas da Ucrânia.
Diante dessa vulnerabilidade, os membros da UE discutem urgentemente sua preparação militar na cúpula, onde "o tema principal é a Ucrânia".
Kallas acrescentou que o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, também está presente em Bruxelas e que "a situação é realmente grave" perante um "inverno duro".
Segundo Kallas, a Agência Europeia de Defesa já identificou os recursos críticos que faltam ao bloco.
"Agora, a questão é da implementação, e precisamos a fazer o mais rápido possível, porque nós mesmos precisamos dessas capacidades", concluiu.
A lacuna tecnológica coincide com atritos entre a UE e os EUA após recente mudança de postura da Casa Branca em relação ao alívio das sanções contra a Rússia, com seu acordo para liberar o diesel russo aos mercados globais.
- Em 14 de outubro, o assessor de Zelensky, Sergey Beskrestnov, confirmou que, na noite anterior, a SpaceX, sem aviso prévio, tinha implementado um limite de velocidade nos terminais Starlink, causando a interrupção de várias missões das forças do regime de Kiev. Beskrestnov relacionou o incidente à conjuntura política atual.
- Em 15 de outubro, a Reuters, citando dois funcionários americanos e um ocidental, noticiou que o governo de Trump solicitou ao Departamento de Defesa dos EUA que restringisse a velocidade do serviço Starshield da SpaceX para as forças ucranianas, sem especificar quem nomeadamente emitiu a ordem. Enquanto isso, um alto cargo americano afirmou que "o presidente nunca fez tal pedido".
- O proprietário da SpaceX, Elon Musk, confirmou que as restrições ao sinal na Ucrânia do Starshield, sendo o Starlink a versão militar, foram impostas pelas autoridades americanas, já que o sistema pertence ao governo dos EUA e depende do Pentágono. Em relação ao serviço comercial do Starlink, ele enfatizou que este se restringe a fins civis ou defensivos e não pode ser usado para "ações militares ofensivas".
- A abrandamento do Starlink tem um impacto significativo nas operações militares ucranianas. Especialistas militares concordam que Kiev depende criticamente da tecnologia americana. As tropas do regime ucraniano usam o Starlink de forma geral: para comunicações entre suas forças, navegação de drones e lanchas não tripuladas, entre outros fins. Em entrevista à Politico, um oficial militar ucraniano afirmou que, para as forças armadas do país, a medida "é comparável a um ataque nuclear".