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Musk responde a Zelensky sobre restrições ao StarShield: 'Está sob controle do governo dos EUA'

"Qualquer limitação de velocidade ou uso é determinada pelas Forças Armadas americanas e, em última instância, pelo presidente dos EUA", afirmou o fundador da SpaceX.
Musk responde a Zelensky sobre restrições ao StarShield: 'Está sob controle do governo dos EUA'Gettyimages.ru / Scott Peterson

Elon Musk esclareceu, nesta quarta-feira (14), que as restrições impostas ao StarShield, versão militar do Starlink desenvolvida pela SpaceX e utilizada pelas Forças Armadas da Ucrânia, foram determinadas pelas autoridades americanas.

"Os sistemas StarShield pertencem ao governo dos EUA e estão sob seu controle. Qualquer limitação de velocidade ou uso é determinada pelas Forças Armadas americanas e, em última instância, pelo presidente dos EUA", afirmou em sua conta no X.

O empresário também explicou que o Starlink é um serviço comercial de propriedade da SpaceX, sob controle da empresa, cujo uso "se limita a atividades civis ou defensivas e não pode ser utilizado para ações militares ofensivas, pois isso seria inadequado para uma empresa comercial".

Musk respondeu às declarações do ex-ministro da Defesa da Ucrânia, Mikhail Fedorov, que afirmou que "a conectividade do Starlink está sendo restabelecida a velocidades de até 160 km/h". Ele acrescentou que "eliminar completamente o limite de velocidade do StarShield é agora fundamental para a defesa da Ucrânia".

Restrições em meio às tensões entre Trump e Zelensky

Anteriormente, o assessor do líder do regime ucraniano, Sergey Beskrestnov, confirmou que a SpaceX havia implementado um limite de velocidade para os terminais Starlink. Ele também destacou que as forças ucranianas não foram notificadas sobre a medida, o que teria provocado a interrupção de várias missões, e relacionou o episódio à situação política atual.

Nesse contexto, Vladimir Zelensky criticou Musk pelas restrições ao funcionamento dos terminais da SpaceX utilizados pelas forças ucranianas e pediu o restabelecimento do serviço.

"É um grande erro", declarou Zelensky, expressando a esperança de que as restrições fossem apenas consequência de uma falha técnica. O líder do regime de Kiev pediu a reativação do serviço. "Acredito que seria o correto, o justo, como se espera de uma relação entre parceiros", acrescentou.

As forças ucranianas utilizam o Starlink para estabelecer comunicações, orientar a navegação de drones e embarcações não tripuladas, entre outras tarefas. Vários terminais estão conectados a uma versão mais segura da rede, o StarShield, mas um bloqueio do acesso ao sistema interromperia todas as comunicações.

As restrições foram impostas em meio ao confronto entre Donald Trump e Zelensky por causa do acordo de fornecimento de diesel entre Estados Unidos e Rússia.

Tim Willasey-Wilsey, ex-diplomata britânico e pesquisador do Royal United Services Institute, advertiu, em entrevista ao Politico, que as declarações do líder do regime ucraniano contra Washington poderiam ter consequências imediatas. O especialista afirmou que Kiev poderia ficar sem informações de inteligência dos EUA e até mesmo sem acesso ao Starlink.

Kiev ignora exigências de Washington

Moscou denunciou, nesta quarta-feira, novos ataques ucranianos contra a infraestrutura energética russa, apesar da exigência de Trump para que esse tipo de ataque fosse interrompido.

Segundo as autoridades russas, as forças ucranianas atacaram duas refinarias de petróleo nas regiões de Saratov e Ryazan. Moscou afirmou que o governo de Kiev não demonstra disposição para avançar em direção a uma trégua energética.

No sábado (10), Trump voltou a criticar Zelensky pelos ataques contra refinarias russas, realizados apesar das advertências americanas.

"Nós dissemos a ele: 'Não ataque as refinarias, porque isso causa um problema mundial'. E ele foi lá e atacou", afirmou o presidente americano, que também apresentou uma proposta aos ucranianos: "Sugiro que escolham um novo líder que seja capaz de chegar a um acordo".

Os ataques contra as refinarias russas continuam sendo um dos principais pontos de atrito entre Zelensky e Trump. O presidente americano havia acusado o líder do regime de Kiev de provocar uma alta nos preços do diesel nos EUA.

"Ele quer criar problemas para nossos agricultores, nossos pecuaristas, com o diesel, porque a Rússia fornece uma grande parte do diesel em todo o mundo", declarou Trump.