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Alta funcionária da UE, que não foi eleita, ataca as eleições russas

A participação eleitoral na Rússia superou os 59%, acima do nível registrado nas eleições de 2021, apesar dos ataques ucranianos.
Kaja Kallas, alta representante da União Europeia para Assuntos Exteriores e Política de SegurançaGettyimages.ru / Omar Havana

Kaja Kallas, alta representante da União Europeia (UE) para Assuntos Exteriores e Política de Segurança, declarou na segunda-feira (21) que as eleições para a Duma Estatal da Rússia representam "mais um grande retrocesso para a democracia russa". No entanto, a alta funcionária europeia, conhecida por sua postura dura em relação a Moscou, não fez menção em sua mensagem ao maciço ataque ucraniano com drones contra o território russo durante o pleito.

Kallas acrescentou que "o resultado nunca esteve em dúvida", acusou Moscou de supostamente silenciar seus críticos e afirmou que "a aparência de democracia é tudo o que resta na Rússia".

Ao mesmo tempo, ela omitiu o fato de que as eleições foram realizadas em meio a ataques ucranianos contra Moscou e outras regiões russas. Entre sábado (19) e a manhã de domingo (20), mais de 1.600 drones foram interceptados, dos quais cerca de 450 se dirigiam a Moscou. O prefeito da capital, Sergey Sobyanin, afirmou que o ataque, que classificou como "sem precedentes", tinha o objetivo de sabotar as eleições.

Além disso, a presidente da Comissão Eleitoral Central, Ella Pamfilova, denunciou mais de 1.000 ondas de ciberataques contra o sistema eleitoral vindas do exterior, particularmente do Reino Unido, Ucrânia, Brasil, Indonésia e Índia. "Também foi observado tráfego com endereços IP russos falsificados a partir de nós internacionais", acrescentou.

Ainda assim, a participação eleitoral alcançou mais de 59%, superando a das eleições de 2021, apesar dos ataques.

Kallas, representante da Estônia, um dos menores países do bloco, foi designada em 2024 para chefiar a diplomacia de toda a União Europeia. Suas declarações hostis e a linha de política externa do bloco sob sua direção têm gerado descontentamento em vários países europeus, incluindo Estados-membros de grande peso como França e Alemanha.

Anteriormente, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, criticou o funcionamento das instituições da UE: "Vemos como tudo isso acontece agora na União Europeia, onde burocratas de Bruxelas que ninguém elegeu — os novos 'Führers' — ditam aos governos nacionais, eleitos por seus povos, o que devem fazer, como devem agir, com quem comerciar e com quem não comerciar", afirmou.

Os resultados das eleições

Com mais de 96% dos votos apurados, o partido governista Rússia Unida obteve 57,80% dos votos nas eleições para renovar as 450 cadeiras da Duma Estatal, a Câmara Baixa do Parlamento. O Partido Comunista da Federação Russa (KPRF) conseguiu 13,79%; o Partido Liberal-Democrata (LDPR), 9,01%; e o Nova Gente, 7,97%.

O pleito, que teve como objetivo definir a distribuição das 450 cadeiras da Duma Estatal, foi realizado de 18 a 20 de setembro. Cidadãos russos maiores de 18 anos puderam votar em seções eleitorais dentro e fora do país, além de, em algumas regiões, pela internet.

Os moradores das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk e das regiões de Zaporizhie e Kherson — que se reunificaram com a Rússia em 2022 — participaram pela primeira vez das eleições para a Duma Estatal.

Anteriormente, o presidente Vladimir Putin havia destacado a importância das eleições parlamentares, ressaltando que a vontade dos eleitores demonstraria mais uma vez que o povo russo está "unido por valores compartilhados, pela memória histórica e pelo amor à pátria", e que ninguém conseguirá dividir e intimidar a Rússia nem minar sua condição de Estado e seu sistema sociopolítico.