
Temendo inverno rigoroso e com reservas de gás em baixa, UE procura nova estratégia energética

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu aos líderes da União Europeia (UE), em reunião, para discutirem o desenvolvimento de reservas estratégicas de gás do bloco, em meio a preocupações com possíveis escassez neste inverno, informou o jornal Politico na quinta-feira (15).

Com base em três diplomatas e dois funcionários da UE, os níveis atuais de armazenamento de gás na Europa, que normalmente são reabastecidos ao longo do ano, estão criticamente baixos devido aos altos preços ligados ao conflito no Irã, o que desestimulou o reabastecimento.
Embora não tenham sido especificados detalhes sobre como as reservas seriam implementadas, um alto funcionário do bloco afirmou que se trata de uma medida de longo prazo para mitigar os riscos futuros de abastecimento, semelhante ao que os países fazem com o petróleo.
Problemas de armazenamento
Documentos analisados pelo jornal indicam planos para aprimorar a gestão de crises no setor energético, mas não mencionam diretamente a criação de reservas estratégicas que os governos teriam que manter em um determinado nível.
Dada a ineficácia do modelo comercial atual, países como os Países Baixos começaram a subsidiar a compra de energia, o que lhes custou quase 1 bilhão de euros, enquanto a Alemanha avalia a possibilidade de estabelecer seu próprio "estoque" estratégico.
A União Europeia substituiu o gás russo de baixo custo, que servia de base para sua indústria, por outras fontes de energia, entre elas o gás natural liquefeito (GNL) dos Estados Unidos, significativamente mais caro.
A atual escalada no Oriente Médio provocou uma alta nos preços do petróleo e do gás, encarecendo ainda mais a energia na Europa. Isso aumentou a pressão sobre famílias e empresas, levando ao fechamento de indústrias, demissões e a um enfraquecimento gradual da economia.
Em setembro de 2022, os gasodutos Nord Stream 1 e 2, que ligavam a Rússia à Alemanha, ficaram fora de operação após um ato de sabotagem que provocou grandes vazamentos de gás no mar Báltico.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou em outubro do ano passado que a renúncia à energia russa desencadeou uma série de efeitos negativos para a economia europeia, incluindo a queda do faturamento industrial, o aumento dos preços devido ao petróleo e ao gás transoceânicos mais caros e a perda de competitividade da economia e dos produtos europeus como um todo.

