
Lula afirma ser favorável à redução da maioridade penal para crimes hediondos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (15), durante sabatina da TV Globo com a jornalista Renata Lo Prete, ser favorável à redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos. O tema foi abordado durante a entrevista, que também tratou do caso Banco Master, da relação com o Congresso Nacional e das eleições presidenciais.
"Todo e qualquer crime hediondo sou favorável a reduzir a maioridade penal (...) Reduzir para 16", declarou Lula. O presidente acrescentou que o tema pode ser discutido e afirmou acreditar que a sociedade brasileira é favorável à punição de crimes dessa natureza.
Caso Vorcaro
Questionado sobre o caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com o ministro Alexandre de Moraes, Lula citou outros membros do Supremo Tribunal Federal (STF) com relações suspeitas: André Mendonça e Kassio Nunes Marques. "André Mendonça tá implicado, Kassio está implicado", disse, sem detalhar as acusações a que se referia.

O presidente afirmou que não pode interferir nas decisões do STF. "Não tenho como interferir em decisões de ministros da Suprema Corte", declarou.
Eleições e avaliação do governo
Lula também avaliou o desempenho de seu governo e reconheceu dificuldades para comunicar à população as ações realizadas. "Só lamento que não tive capacidade de fazer o povo compreender o que eu fiz", afirmou.
O presidente disse estar ciente de que o cenário político atual é adverso e declarou que seu governo passou dois anos tentando recuperar o país. Apesar das dificuldades, afirmou: "Acho que fizemos muita coisa". Em seguida, declarou estar "consciente" de que vencerá as eleições.
Relação com o Congresso
Ao comentar a relação com o Legislativo, Lula afirmou que seu governo conseguiu aprovar 99% das propostas encaminhadas ao Congresso. Entre os exemplos, citou a reforma tributária, cuja aprovação, segundo ele, era uma tentativa de décadas.
"Todos os partidos, com exceção do PL, participaram do meu governo. O PP participou, o União Brasil, o PSD, o PMDB", disse. Para o presidente, a articulação com diferentes siglas é necessária para garantir a governabilidade. "E se não for assim, não governamos o país", afirmou.
