
EUA enviam 600 soldados para América Latina — New York Times

Os Estados Unidos estão transferindo cerca de 600 soldados para a América Latina, informou o New York Times citando autoridades militares do país na quarta-feira (14).
Segundo o jornal, o objetivo é ampliar a campanha contra o narcotráfico na região.

Os primeiros integrantes do batalhão da 10ª Divisão de Montanha, sediada em Fort Drum, Nova York, já seguem para um novo centro de treinamento na selva, no Panamá.
Depois, o grupo treinará com forças locais na Colômbia e em Honduras.
Perigos da medida
O veículo destaca os temores que a campanha provoca entre especialistas em direitos humanos de que a campanha militar contra traficantes.
Segundo eles, além de possibilidade de afetar a vida dos civis, a campanha pode ser ineficaz, já que os traficantes mortos podem ser substituídos.
O veículo também aponta para "preocupações sobre soberania" que a decisão causa.
Adam Isacson, diretor de grupo de pesquisa Supervisão de Defesa do Escritório de Washington para Assuntos Latino-Americanos (WOLA), afirmou, citado pelo jornal, não se lembrar de nenhum destacamento de tropas americanas para a região "que tenha chegado perto de 600, exceto em casos de contingências como invasões ou desastres naturais".
Campanha mais ampla
A medida integra uma expansão mais ampla: centenas de militares também devem reforçar um novo comando para operações no Hemisfério Ocidental, baseado em Miami.
Na semana passada, o Pentágono também transferiu drones MQ-9 Reaper da África para Colômbia e Equador.
A campanha ocorre em meio ao desenvolvimento do programa chamado "Escudo das Américas". Criado pelo governo de Donald Trump, o Escudo das Américas reúne 15 países com o objetivo declarado de combater o narcotráfico e o crime organizado no continente.
Em setembro, os integrantes da coalizão anunciaram uma ação conjunta contra 24 organizações classificadas como "narcoterroristas transnacionais", incluindo as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
Além dos Estados Unidos, participam da iniciativa Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, declarou que pretende incluir o Brasil na coalizão caso seja eleito no segundo turno.

