'Explosão do Nord Stream é crime de guerra contra alvos civis', diz procurador alemão

A acusação foi feita no âmbito do julgamento do ex-oficial ucraniano Sergey Kuznetsov, acusado de liderar e supervisionar a sabotagem contra os gasodutos em setembro de 2022.

Na Alemanha, teve início na quarta-feira (14) o primeiro julgamento criminal relacionado ao ataque de setembro de 2022 aos gasodutos Nord Stream, no Mar Báltico.

O cidadão ucraniano Sergey Kuznetsov está sendo julgado perante o Tribunal Regional Superior de Hamburgo, informou imprensa alemã. 

Na leitura da acusação, o promotor Stefan Schmidt afirmou que o suspeito e seus cúmplices tinham conhecimento de que os gasodutos não constituíam um objetivo militar legítimo, acrescentando que a demolição foi realizada por meios militares.

Após a audiência, Schmidt afrmou aos repórteres que o ex-oficial das Forças Armadas da Ucrânia "é acusado, entre outros crimes, de um crime de guerra que consiste em um ataque contra alvos civis".

"Supostamente, o acusado liderou e supervisionou um grupo composto por vários mergulhadores profissionais, um especialista em explosivos e um capitão de barco, que colocaram cargas explosivas nos gasodutos Nord Stream 1 e Nord Stream 2 perto da ilha de Bornholm, no Mar Báltico", explicou.

Ele afirmou ainda que "a acusação de crime de guerra se baseia essencialmente no fato de que os gasodutos atacados não constituíam um objetivo militar legítimo, mas sim infraestrutura civil", visto que serviam exclusivamente para o fornecimento de gás natural à população civil da Alemanha e da Europa Ocidental.

O que a Rússia diz sobre a condução do caso pela Alemanha?

No início de setembro, Vladimir Putin lembrou que, após a destruição dos gasodutos, vitais para a Alemanha por forneciam gás natural russo diretamente e a baixo custo, Berlim acusou Moscou pelo ataque.

"Na época, fiquei perplexo com a forma como eles puderam inventar tamanha bobagem. Quer dizer, nós temos um interesse direto em vender gás para a Europa", declarou o presidente russo.

Ao mesmo tempo, ele ressaltou que a Rússia estaria disposta, mesmo agora, a fornecer gás aos países europeus, acrescentando que eles só precisam "tomar a decisão de apertar aquele botão".

"Mas que lhes falta coragem por causa das sanções dos EUA, só isso", enfatizou.

Por sua vez, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, criticou recentemente na última quinta-feira (8) a decisão sem precedentes do tribunal de rejeitar o pedido das empresas operadoras — Nord Stream AG e Nord Stream 2 AG — para participarem do processo penal como coautoras da acusação.

Zakharova explicou, citando o próprio tribunal, que o objeto do processo é estritamente estabelecer a culpa do acusado ucraniano e que "o único interesse deles é saber como o próprio acusado cometeu fisicamente esse crime".

"Como ele se aproximou nadando, às escondidas, mergulhou e fez tudo. E todo o resto, segundo o tribunal alemão, supostamente não tem relação com o caso", criticou.

Ela afirmou que Moscou não está surpresa com o rumo dos acontecimentos, uma vez que a Alemanha, em violação às suas obrigações internacionais de assistência jurídica em matéria penal e às convenções antiterroristas, "evitou cooperar com as autoridades policiais russas na investigação do crime contra uma instalação de infraestrutura crítica europeia", ressaltou.

A porta-voz garantiu que Moscou, por sua vez, continuará a desenvolver de forma consistente seus esforços internacionais "para identificar e punir não apenas os executores, mas também os verdadeiros autores deste atentado terrorista, sem precedentes em todos os aspectos".

Sabotagem do Nord Stream