Nesta quarta-feira (14), começou na Alemanha o julgamento pelo atentado contra o gasoduto Nord Stream.
O ucraniano Sergey K. comparecerá a um tribunal de Hamburgo, acusado de organizar uma operação secreta que causou a explosão dos gasodutos, informou a Reuters.
Ele também é acusado de liderar um grupo de agentes ucranianos, entre os quais havia mergulhadores e um especialista em explosivos, para executar a operação de sabotagem.
Os promotores afirmam que Sergey K., preso na Itália no ano passado por força de um mandado internacional, trabalhou com outros integrantes das Forças Armadas para planejar a operação clandestina em nome de entidades estatais ucranianas não identificadas.
Segundo o Ministério Público alemão, os atos atribuídos ao acusado podem constituir um crime de guerra.
Estão previstas 16 datas de audiências, que se estenderão até 17 de dezembro.
O caso se tornou "diplomática e politicamente delicado" para o governo alemão, que continua apoiando firmemente a Ucrânia, apesar das pistas que ligam Kiev ao episódio.
O que a Rússia diz sobre a condução do caso pela Alemanha?
No início de setembro, Vladimir Putin lembrou que, após a destruição dos gasodutos, vitais para a Alemanha por forneciam gás natural russo diretamente e a baixo custo, Berlim acusou Moscou pelo ataque.
"Na época, fiquei perplexo com a forma como eles puderam inventar tamanha bobagem. Quer dizer, nós temos um interesse direto em vender gás para a Europa", declarou o presidente russo.
Ao mesmo tempo, ele ressaltou que a Rússia estaria disposta, mesmo agora, a fornecer gás aos países europeus, acrescentando que eles só precisam "tomar a decisão de apertar aquele botão".
"Mas que lhes falta coragem por causa das sanções dos EUA, só isso", enfatizou.
Por sua vez, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, criticou recentemente na última quinta-feira (8) a decisão sem precedentes do tribunal de rejeitar o pedido das empresas operadoras — Nord Stream AG e Nord Stream 2 AG — para participarem do processo penal como coautoras da acusação.
Zakharova explicou, citando o próprio tribunal, que o objeto do processo é estritamente estabelecer a culpa do acusado ucraniano e que "o único interesse deles é saber como o próprio acusado cometeu fisicamente esse crime".
"Como ele se aproximou nadando, às escondidas, mergulhou e fez tudo. E todo o resto, segundo o tribunal alemão, supostamente não tem relação com o caso", criticou.
Ela afirmou que Moscou não está surpresa com o rumo dos acontecimentos, uma vez que a Alemanha, em violação às suas obrigações internacionais de assistência jurídica em matéria penal e às convenções antiterroristas, "evitou cooperar com as autoridades policiais russas na investigação do crime contra uma instalação de infraestrutura crítica europeia", ressaltou.
A porta-voz garantiu que Moscou, por sua vez, continuará a desenvolver de forma consistente seus esforços internacionais "para identificar e punir não apenas os executores, mas também os verdadeiros autores deste atentado terrorista, sem precedentes em todos os aspectos".
Sabotagem do Nord Stream
- As explosões nos gasodutos Nord Stream 1 e 2 ocorreram em 26 de setembro de 2022, o que provocou grandes vazamentos de gás no Mar Báltico.
- Segundo as autoridades alemãs, um grupo de sabotadores, que incluía os detidos Vladimir Z. e Sergey K., ambos cidadãos ucranianos, colocou explosivos nos dutos submarinos perto de Bornholm, uma ilha dinamarquesa no mar Báltico. Para realizar a operação, os suspeitos teriam utilizado um iate que partiu do porto alemão de Rostock.
- Os governos da Dinamarca, Alemanha e Suécia se recusaram a divulgar os resultados de suas investigações sobre o ocorrido e ignoraram os pedidos da Rússia, que pediu para auxiliar no caso, informou o New York Times à época.
- Em 2023, o renomado jornalista norte-americano Seymour Hersh concluiu que a Casa Branca, sob comando do então presidente Joe Biden, estaria por trás do atentado.
Órgãos da imprensa ocidental responsabilizaram grupos de sabotagem ucranianos pela explosão que teriam chegado ao local do ataque em um iate chamado Andrômeda.